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Soraya Thronicke defende investigação no STF e cita R$ 5 bi em MS

Soraya Thronicke no estúdio da Rádio Massa FM Campo Grande Foto: Karina Anunciato/ Portal RCN67

A senadora Soraya Thronicke (PSB) concedeu entrevista à Massa FM nesta quinta-feira (10) para abordar temas centrais de sua atuação parlamentar e da atual conjuntura política brasileira. A parlamentar, que disputa a reeleição ao Senado por Mato Grosso do Sul, focou na crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e na destinação de recursos para o estado.

Questionada sobre a mudança de posicionamento político ao longo dos anos, Soraya negou qualquer alteração em seus princípios. Ela afirmou que sua trajetória partidária, que passou por quatro siglas desde 2018, não representou uma mudança de valores. A senadora explicou que entrou na política motivada pela indignação e sempre defendeu o combate à corrupção e a preservação das instituições.

A trajetória de Soraya começou com a filiação ao PSL em 2018, quando foi eleita senadora. Com a fusão do PSL com o Democratas, ela integrou o União Brasil e disputou a Presidência da República em 2022. Em 2023, migrou para o Podemos, onde atuou como vice-líder da bancada feminina, antes de se filiar ao PSB, legenda pela qual concorre agora.

Crise no STF e responsabilidade

Sobre a crise institucional no STF, Soraya classificou o momento como sem precedentes. Ela destacou a falta de jurisprudência para lidar com eventuais pedidos de impeachment de ministros. A senadora defendeu que o Judiciário deve permanecer dentro dos limites da ciência jurídica, evitando envolvimento político.

Em relação à criação de um código de conduta para ministros, Soraya disse que inicialmente considerava a medida desnecessária, dado as regras de transparência já existentes. No entanto, diante das recentes controvérsias, ela defendeu a investigação dos fatos. A parlamentar declarou que todos devem ser investigados, independentemente de quem seja envolvido, para que o país consiga superar a crise em meio ao processo eleitoral.

Soraya reforçou a ideia de que o verdadeiro conservadorismo é o institucional. Para ela, é essencial conservar as instituições democráticas e garantir que os poderes atuem com independência e responsabilidade. Essa posição contrasta com a percepção de que houve uma aproximação ideológica com o governo federal, algo que ela atribui a decepções anteriores com a condução de políticas públicas, como o combate à corrupção e a gestão da pandemia.

Recursos para Mato Grosso do Sul

A senadora apresentou números sobre sua atuação em favor de Mato Grosso do Sul. Soraya afirmou ter destinado mais de R$ 5 bilhões em recursos ao estado ao longo do mandato. Esse valor inclui sua participação proporcional em emendas de bancada. Os recursos foram direcionados aos 79 municípios do estado, segundo a parlamentar.

Apesar dos valores altos, Soraya fez uma distinção importante entre a destinação e a execução dos recursos. Ela explicou que a indicação de uma emenda não garante que o dinheiro tenha sido efetivamente aplicado. A execução depende dos governos locais e estaduais, responsáveis por colocar os projetos em prática, como a pavimentação de ruas e a melhoria de infraestrutura.

A senadora ressaltou que mantém em seu site um mapa com informações detalhadas sobre a destinação dos recursos para cada município. Essa ferramenta visa aumentar a transparência e permitir que a população acompanhe para onde estão sendo direcionados os fundos públicos. A iniciativa busca combater a desinformação e fortalecer a relação entre o legislativo e a sociedade civil.

No setor de saúde, Soraya citou a destinação de cerca de R$ 65,5 milhões para Dourados. Ela também comentou a situação da Santa Casa de Campo Grande, classificando o problema como crônico. A senadora defendeu a atualização da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) para garantir um financiamento adequado. Ela apontou que a parte privada do hospital acaba subsidiando atendimentos públicos, o que evidencia a necessidade de uma gestão mais eficiente dos recursos.

Outro ponto destacado foi a retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas. O projeto prevê um investimento superior a R$ 5 bilhões e a geração de milhares de empregos durante a fase de implantação. Soraya argumentou que a iniciativa é crucial para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, considerando o papel do país no agronegócio. A retomada da unidade é vista como estratégica para a economia local e nacional.

Sobre a violência contra a mulher, a senadora defendeu a maior participação feminina na política. Ela afirmou que a legislação brasileira já é rigorosa, mas que é necessário ampliar os recursos e a presença das mulheres nos espaços de decisão. Soraya citou a Lei Bárbara Penna, uma de suas iniciativas, como exemplo de compromisso com o tema. Para ela, a dor vivida pelas vítimas só pode ser plenamente compreendida e combatida com a representação política adequada.

Encerrando a entrevista, Soraya afirmou que cumpriu os compromissos assumidos durante o mandato. Ela ressaltou que seu foco é o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. A senadora disputa uma das duas vagas ao Senado que estarão em jogo nas eleições de 2026, buscando manter sua atuação em defesa dos interesses do estado.

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