Mato Grosso do Sul contabilizou 250 ocorrências de suicídio em 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O estado de Campo Grande concentra 58 desses registros, evidenciando a gravidade do cenário local. Janeiro foi o mês com o maior número de casos no estado, totalizando 43 ocorrências, seguido por agosto, com 35 registros. Para comparação, o ano de 2025 terminou com 338 ocorrências contabilizadas.
Os números reforçam a urgência do debate sobre prevenção, especialmente nesta quinta-feira (10), data em que se celebra o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Para Adão Barros, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), a prioridade não deve ser apenas a análise estatística, mas a ampliação dos espaços de acolhimento e escuta para quem enfrenta sofrimento emocional.
Em entrevista à Massa FM, Barros afirmou que o suicídio é uma questão de saúde pública grave no Brasil e no mundo. Ele ressaltou que o trabalho do CVV é voltado para a prevenção, campanhas de conscientização e apoio emocional, sem excessiva preocupação com as estatísticas isoladas.
Sinais de alerta
Segundo o voluntário, familiares e amigos precisam estar atentos a alterações no comportamento que podem indicar dificuldades emocionais. Entre os sinais citados estão o isolamento, a busca constante pela solidão, a automutilação, a desmotivação para o trabalho e o afastamento do convívio social. A tristeza persistente também é um indicativo importante.
Mudanças bruscas na rotina e a dificuldade ou falta de vontade de conversar sobre o que está acontecendo merecem atenção redobrada. Barros explicou que os sinais podem ser sutis, como quando a pessoa começa a se distanciar do círculo social. A orientação é não esperar que a pessoa peça ajuda para iniciar uma conversa.
Demonstrar preocupação, perguntar como ela está e oferecer companhia são atitudes fundamentais. A abordagem simples de perguntar se a pessoa está bem ou convidá-la para conversar pode abrir espaço para que ela compartilhe o sofrimento, rompendo o ciclo de isolamento.
Escuta empática
O CVV trabalha com o conceito de escuta empática, que consiste em ouvir sem julgamento e oferecer espaço para que a pessoa fale sobre aquilo que está vivendo. Para Adão, essa atitude não depende de profissionais especializados e pode começar dentro da própria família. O objetivo é estar presente e dar apoio emocional através da escuta.
Barros destacou que o atendimento do CVV não visa dar respostas prontas ou solucionar os problemas apresentados. A instituição oferece apoio emocional através da escuta compreensiva, permitindo que a pessoa encontre um processo de solução para os problemas que enfrenta. O atendimento é gratuito, sigiloso e não há gravação das ligações.
A instituição atua no Brasil desde 1962 e conta atualmente com cerca de 2 mil voluntários. São realizados aproximadamente 3 milhões de atendimentos por ano, disponíveis pelo telefone 188, além de chat e e-mail. Situações de problemas familiares, dificuldades financeiras e conflitos no trabalho podem aumentar a sensação de desespero, fazendo com que a pessoa tenha dificuldade para enxergar alternativas.
Buscar ajuda é uma forma de cuidado e pode ser o primeiro passo para sair do isolamento. Quem está no olho do furacão muitas vezes não consegue achar uma saída sozinho. A resolução conjunta é fundamental, e o atendimento do CVV está disponível para qualquer pessoa, inclusive para quem não se sente confortável em procurar familiares ou amigos. A prevenção depende da atenção e do acolhimento contínuo.








