O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central detalhou nesta terça-feira (22) os motivos que levaram à redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual. A decisão fixou a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, marcando o início do afrouxamento monetário no Brasil. A ata da reunião, divulgada pelo órgão, reforça que o processo será conduzido com prudência e sem pressa.
Os diretores da autarquia apontaram que a moderação gradual do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre comprovou o impacto da política de juros restritivos. Setores dependentes de financiamentos e bens duráveis sofreram o efeito mais severo, o que, segundo o colegiado, é essencial para restaurar o equilíbrio entre oferta e procura e forçar o recuo dos preços.
Crédito e inflação
A ata destaca que a concessão de crédito sofreu retração condizente com a fase de aperto monetário prolongado. Esse cenário acumula efeitos visíveis sobre o dinamismo econômico. Paralelamente, a inflação acumulada em 12 meses voltou a operar abaixo do limite superior da meta oficial, tanto no índice geral quanto nas médias de núcleos.
Apesar da melhora, o custo de vida permanece acima do centro da meta traçada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O mercado de trabalho, que mantém índices elevados de contratação, resiste à desaceleração ampla e continua alimentando a pressão sobre os preços.
Cenário externo e projeções
A cautela do comitê baseia-se em expectativas desancoradas dos analistas e na instabilidade externa. Dados da pesquisa Focus citados na ata mostram projeções inflacionárias distantes do alvo, em 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027. Diante disso, o Copom advertiu que a economia exigirá taxas restritivas por mais tempo do que em ciclos anteriores.
No exterior, tensões geopolíticas no Oriente Médio e incertezas sobre a conduta monetária de economias desenvolvidas adicionam volatilidade. Por outro lado, uma desaceleração internacional mais acentuada ou a queda nas cotações de commodities poderiam aliviar a pressão doméstica. A decisão de corte parcimonioso busca equilibrar o alívio ao PIB com a ancoragem dos preços futuros.








