Um homem de 37 anos, foragido da Justiça de Mato Grosso por envolvimento em execuções com requintes de crueldade, morreu após entrar em confronto com policiais civis da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras).
A ação ocorreu nesta segunda-feira (21) em uma propriedade na Vila Zuzu, em Nova Alvorada do Sul — município localizado a cerca de 115 quilômetros de Campo Grande.
A equipe policial de Mato Grosso do Sul atuava em apoio à Delegacia de Itiquira (MT), onde tramitavam dois mandados de prisão preventiva contra o investigado. Conforme os autos policiais do estado vizinho, ele integrava o braço armado de uma facção criminosa carioca, com participação direta em homicídios associados a disputas territoriais e julgamentos paralelos do chamado tribunal do crime.
Confronto na propriedade
Ao notar a aproximação das viaturas na propriedade rural, o homem correu para os fundos do imóvel armado com uma pistola. Os agentes desembarcaram, progrediram pelo terreno e deram ordens claras para que ele largasse o armamento. O suspeito desobedeceu e mirou a pistola na direção dos policiais, momento em que dois integrantes da equipe efetuaram disparos para conter a ameaça.
Mesmo ferido, o investigado ainda apresentava sinais vitais e foi socorrido pelos próprios policiais, que o transportaram ao Hospital Municipal Francisco Ortega. Ele recebeu os primeiros socorros na unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada pouco depois de dar entrada.
No local do confronto, os policiais apreenderam a pistola calibre .22 utilizada pelo suspeito, carregada com quatro munições intactas, além de localizarem uma espingarda calibre .32 no interior da residência. As apurações conduzidas pela Polícia Civil de Mato Grosso apontam o histórico violento atribuído ao foragido: homicídio e ocultação de cadáver (2021) e emboscada armada (2023). Em 2021, ele foi indiciado pela execução de Manoel Garces de Sousa, cuja vítima foi encontrada com as mãos amarradas, marcas de golpes de faca e tentativa de decapitação. Em 2023, ele respondeu pelo homicídio de Leonardo Garces Ajala, mantendo contato telefônico na madrugada do desaparecimento e sabendo onde o corpo havia sido desovado. A testemunha que denunciou o crime foi ameaçada e desapareceu antes de ser abrigada no Programa de Proteção a Testemunhas. A Polícia Científica realizou perícia no imóvel e encaminhou o armamento para exames balísticos complementares.
Os mandados de prisão preventiva tramitavam na Delegacia de Itiquira (MT) e foram emitidos em 2021 e 2023, respectivamente, após a coleta de provas que incluíam gravações de vídeo, depoimentos de testemunhas e documentos que vinculavam o suspeito a crimes de homicídio e ocultação de cadáver. O veículo dele, um Fiat Palio preto, foi usado no transporte e na ocultação do cadáver em 2021. A polícia de Mato Grosso do Sul coordenou o monitoramento da propriedade na Vila Zuzu, onde o suspeito teria se escondido com a intenção de evitar a captura.
A Polícia Científica encaminhou o material balístico para análise, enquanto a Polícia Civil de Mato Grosso continua a investigação sobre a testemunha desaparecida e a possível extinção de seu paradeiro. O caso permanece em fase de investigação, com a expectativa de que as autoridades revelem mais detalhes sobre a rede de facção e a extensão de suas atividades criminosas na região.








