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Entrega voluntária para adoção cresce em Três Lagoas, mas falta informação

A entrega voluntária de bebês para adoção segue como um direito legal pouco conhecido em Três Lagoas. No ano passado, seis mulheres optaram por esse caminho. Entre janeiro e agosto deste ano, outras quatro gestantes realizaram o procedimento. Os dados indicam que o serviço é procurado, mas a baixa demanda reflete a carência de informação sobre o direito.

O Poder Judiciário destaca que a entrega voluntária é uma decisão individual da mulher. Ela pode manifestar o desejo durante a gestação ou no momento do parto. O processo garante acolhimento e acompanhamento especializado, sem pressão para manter ou entregar a criança.

Acolhimento e sigilo

Elisângela Facirolli, assistente social do Judiciário, explica que não existe um perfil único de quem procura o serviço. As histórias e motivos variam, exigindo atendimento sem preconceito. “Quando a gestante tem o interesse em entregar para adoção, a gente acompanha todo esse processo”, afirmou.

O procedimento é sigiloso. Familiares e o genitor não precisam ser informados sobre a decisão. No dia do parto, a mulher pode escolher se conhece o bebê e se amamenta. Após o nascimento, ela declara novamente o interesse e participa de uma audiência com o juiz. Ainda há dez dias para se arrepender da decisão.

Decisão respeitada

Elisângela enfatiza que o trabalho do Judiciário não visa induzir a mulher a nenhuma escolha. “Em nenhum momento nós vamos induzi-la a não entregar ou a entregar. É uma decisão dela, isso é respeitado”, disse. O acompanhamento psicossocial é fundamental, pois muitas gestantes vivem o período de forma solitária, às vezes escondendo a gravidez.

Há casos em que a mulher passa por todo o atendimento durante a gestação e decide permanecer com o bebê no nascimento. O apoio social e psicológico é essencial nesse momento. Para a criança, a entrega voluntária evita longas permanências em instituições de acolhimento. Após os procedimentos legais, o bebê pode ser encaminhado a uma família habilitada na fila de adoção.

A assistente social observa que muitas mulheres deixam de procurar o serviço por medo do julgamento social ou por desconhecerem o direito. “Muitas acreditam que, se entregar para adoção, estão fazendo algo errado”, relatou. Ela reforça que, perante a lei, a entrega voluntária não é abandono. A mulher está seguindo o caminho correto.

Quem precisa de orientação pode procurar o Poder Judiciário. O atendimento é gratuito e sigiloso. Informações também podem ser obtidas pelo telefone 67 98154-7963. A ampliação da informação é vista como necessária para que mais mulheres conheçam essa opção legal.

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