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Pesquisa aponta mudança no consumo de restaurantes em Campo Grande

Pesquisa revela mudanças no consumo de quem usa canetas emagrecedoras em Campo Grande. Foto: Gerada por IA | Adriano Hany

Uma pesquisa realizada em Campo Grande revelou que o uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento alterou o comportamento dos consumidores de alimentação fora do lar. O levantamento indica que os usuários desses produtos continuam frequentando restaurantes, mas modificaram o tamanho das porções e a composição dos pedidos. A mudança não representa o abandono dos estabelecimentos, mas uma redefinição das expectativas de consumo.

O estudo foi apresentado na quinta-feira (24.09), durante o evento “Canetas Emagrecedoras: A Revolução que Está Redesenhando o Mercado”, realizado no Senac Hub Academy. A iniciativa reuniu empresários e especialistas para discutir os reflexos do avanço desses medicamentos no setor de alimentação, varejo e saúde. O objetivo foi orientar o mercado sobre como adaptar produtos e serviços ao novo perfil do consumidor.

Mudança no tamanho das porções

Entre os consumidores que utilizam ou já utilizaram medicamentos injetáveis para controle de peso, 87,7% preferem porções menores do que costumavam consumir. Esse índice é significativamente superior ao registrado entre os não usuários, que é de 43,9%. A diferença de 43,8 pontos percentuais representa a maior variação identificada pelo levantamento em relação às preferências de consumo.

A pesquisa foi conduzida pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio-MS (IPF-MS) para o Senac MS. O trabalho ouviu presencialmente 1.087 consumidores de alimentação fora do lar nas sete regiões urbanas de Campo Grande. A coleta de dados ocorreu entre 24 de agosto e 2 de setembro. Do total de entrevistados, 14,1% afirmaram usar ou já ter usado os medicamentos injetáveis para emagrecer ou controlar o peso.

Os números indicam que a redução do apetite é um fator determinante. Entre os usuários, 91,5% relataram queda no apetite. Mesmo assim, 41,2% mantiveram a mesma frequência de consumo fora de casa após o início do uso, e 21,6% passaram a sair mais. A alteração concentra-se na qualidade e quantidade da comida servida, com menor volume, mais proteínas, vegetais e saladas, além da redução no consumo de doces e sobremesas.

Perfil do usuário e critérios de escolha

O levantamento também identificou o perfil dos consumidores que utilizam esses medicamentos. Entre as mulheres entrevistadas, 19,2% usam ou já usaram os produtos, índice superior ao dobro registrado entre os homens, que é de 9,1%. A pesquisa aponta ainda um crescimento no uso conforme a renda domiciliar. Entre pessoas com renda de até três salários mínimos, o percentual é de 11,1%. Já entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, o índice sobe para 22%.

Os critérios para escolher o que comer também mudaram. O equilíbrio entre prazer e saúde foi citado por 47,7% dos usuários, contra 31,6% dos não usuários. O preço, por sua vez, perdeu relevância nesse grupo específico. Apenas 1,3% de quem utiliza ou já utilizou os medicamentos citou o custo como fator decisivo, enquanto 11,1% dos demais consumidores ainda consideram o preço um ponto importante.

Juliano Wertheimer, presidente do Sistema Comércio MS, destacou que os dados mostram uma transformação que vai além da alimentação. Ele ressaltou a necessidade de acompanhar o consumidor para orientar decisões empresariais. “São informações que nos ajudam a compreender um consumidor que vem se transformando e a refletir sobre como as empresas podem se adaptar ao novo cenário. Mas queremos ir além da informação”, afirmou.

Nilde Brun, diretora do IPF-MS, explicou que o principal efeito não está na frequência das visitas, mas no que chega à mesa. Para ela, a redução das porções abre espaço para que os estabelecimentos repensem a quantidade servida, o valor agregado e a comunicação com o público. “Então, volume, tamanho da porção, a gente percebe realmente essa diminuição, agregar valor nessa porção que ele está oferecendo. Como sugestão, desenvolver precificação premium para porções reduzidas. Então, aqui os empresários que talvez ainda não fizeram, estão pensando, essa é uma sugestão que a gente deixa, ensinar a transição de pratos volumosos para pratos de alta densidade em proteínas”, disse.

Jordana Duenha, diretora regional do Senac MS, reforçou que a pesquisa oferece uma base concreta para a adaptação de produtos e serviços. “A pesquisa mostra que não estamos diante de um consumidor que simplesmente deixou de frequentar restaurantes, mas de alguém que está fazendo novas escolhas. Para o Senac, conhecer essas mudanças é fundamental para transformar dados em soluções para as empresas, seja na elaboração de cardápios, na precificação, no atendimento ou na capacitação das equipes. Nosso papel é ajudar o empresário a entender esse novo comportamento e se preparar para responder a ele de forma sustentável e competitiva”, afirmou.

Leonardo Leão, consultor financeiro, avaliou que o cenário exige conhecimento preciso sobre o consumidor e ajustes para preservar a rentabilidade. Ele sugeriu a revisão da precificação e a criação de estratégias para aumentar a frequência dos clientes. “De que forma eu posso ser rentável, mas também ser competitivo, levando para esse grupo de pessoas utilizadoras de canetas um prato mais saudável, mas também sendo lucrativo para a empresa”, pontuou.

Tayná Santiago, médica pós-graduada em Nutrologia, abordou os impactos das canetas na saúde e no bem-estar. Segundo ela, as transformações associadas ao emagrecimento alcançam outros segmentos, como academias, proteínas e serviços de estética. “O comportamento não está acompanhando a velocidade de emagrecimento. Então, o comportamento é a chave que vai fazer a diferença de quem vai se beneficiar ou não dessa mudança de mercado”, afirmou.

O levantamento indica que parte das mudanças pode permanecer mesmo após a interrupção do uso. Entre todos os entrevistados, 85,6% consideram que a preocupação com alimentação saudável fora de casa representa uma mudança permanente de comportamento. Apenas 6,3% classificam essa preocupação como tendência passageira. Entre as 69 pessoas que já pararam de usar os medicamentos, 27,5% disseram ter mantido praticamente todas as mudanças de hábito, e 36,2% preservaram parte delas.

Os dados sugerem que o impacto no mercado pode ir além do período de uso das canetas. Para bares, restaurantes e negócios ligados à alimentação fora do lar, o efeito prático é claro: o cliente permanece à mesa, mas espera porções, preços, cardápios e experiências mais alinhados ao novo padrão de consumo. O Sistema Comércio MS, composto por Fecomércio MS, Sesc MS, Senac MS, IPF e sindicatos empresariais, colocou a pesquisa como instrumento de orientação para o mercado diante dessas novas demandas.

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