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Infarto em jovens cresce e vira alerta no Setembro Vermelho

O infarto não escolhe idade. Embora associado a pessoas mais velhas, o problema cardíaco tem atingido com frequência crescente indivíduos jovens e aparentemente saudáveis. O Setembro Vermelho, mês de conscientização sobre doenças cardiovasculares, destaca esse cenário preocupante no Brasil, onde ocorrem cerca de 1.000 infartos por dia, o que equivale a quase 40 casos por hora.

A história de Alessandro de Bassi, executivo de contas, ilustra a súbita mudança de rotina que a doença pode provocar. Aos 38 anos, ele sofreu um infarto em 31 de dezembro de 2018, em Piên, no Paraná. Naquele dia, Alessandro trabalhava em uma obra na própria casa. Sem histórico de problemas de saúde e com poucos hábitos de consulta médica, ele ignorou inicialmente a dor que começou na cabeça e irradiou para o peito e o braço.

A situação se agravou com a falta de ar. Percebendo a gravidade, Alessandro dirigiu até o hospital. Ao chegar, sua pressão arterial estava em 23 por 18. A equipe médica identificou a urgência e transferiu o paciente de helicóptero para Curitiba. Em apenas 24 minutos, ele estava internado na UTI de um hospital da capital. Os exames revelaram que uma das principais artérias do coração estava 95% comprometida.

Risco maior em jovens

Para o cardiologista Victor Hugo Cavallini, a agilidade no atendimento foi decisiva para salvar a vida de Alessandro. O médico afirma que os casos de infarto em pessoas jovens têm aumentado tanto nos consultórios quanto nos hospitais. Segundo Cavallini, o cenário está ligado a fatores como sedentarismo, má alimentação, obesidade e tabagismo. A correria do dia a dia, o consumo de alimentos enlatados e com muitos conservantes também contribuem para o quadro.

Um aspecto técnico preocupa os especialistas: o infarto em jovens pode ser mais grave do que em idosos. Isso ocorre porque o paciente jovem não costuma ter circulação colateral, uma rede de pequenos vasos que ajuda a compensar parcialmente a obstrução em pessoas mais velhas. Como as artérias dos jovens são mais elásticas e novas, não conseguem formar esse sistema de compensação com a mesma eficiência.

Alexandro, que hoje tem 45 anos, segue em acompanhamento com cardiologista e toma medicamentos contínuos. A experiência mudou sua visão sobre a saúde. Ele relata que a dor forte ou pressão no peito, que pode irradiar para o braço, mandíbula, costas ou aparecer como desconforto no estômago, são sinais de alerta. Em alguns casos, surgem também falta de ar, mal-estar e suor frio. Diante desses sintomas, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente.

Prevenção e novos hábitos

Sete anos após o episódio, Alessandro descreve o 31 de dezembro como seu segundo aniversário, o dia em que renasceu. A rotina mudou completamente. Ele ainda não pratica atividade física, por recomendação do cardiologista, enquanto avalia a situação da artéria. O médico reforça a importância da prevenção, citando alimentação saudável, prática de exercício físico, controle da pressão arterial e acompanhamento do colesterol como cuidados fundamentais.

Segundo o cardiologista, mesmo quem não apresenta fatores de risco deve manter as consultas médicas em dia. A mensagem de Alessandro é clara: a prevenção não pode esperar. Ele recomenda que as pessoas se cuidem, pois a doença está presente e não há garantia de uma segunda oportunidade. O Setembro Vermelho serve como lembrete de que o cuidado com o coração é uma responsabilidade diária, independentemente da idade ou do histórico familiar.

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