Em Três Lagoas, a eleição revelou que o domicílio eleitoral não reflete necessariamente a preferência dos eleitores locais. Dos dez deputados federais mais votados na cidade, sete são de fora e, juntos, receberam 28.628 votos. Camila Jara liderou entre os forasteiros, com 6.650 votos, enquanto os candidatos estaduais de outras cidades somaram 14.569 votos. Isso mostra que os eleitores de Três Lagoas estão abertos a propostas de candidatos que não têm laços diretos com a cidade. Os 28.628 votos representam quase 30% dos votos totais para deputados federais na cidade.
Apesar da preferência por candidatos de fora, os nomes locais também tiveram forte desempenho. Ângelo Guerreiro foi eleito deputado estadual com 37.704 votos, dos quais 27.004 vieram de Três Lagoas. Paulo Veron obteve 11.316 votos na Câmara Federal pelo Estado, demonstrando que a base local pode se estender além da cidade. Além disso, a presença de nomes locais reforça a importância de uma base sólida para alcançar o Legislativo estadual. Paulo Veron, com 11.316 votos no Estado, também contou com apoio de eleitores fora da cidade.
Votos de fora
O resultado também marcou a saída do médico Ruy Costa da política. Ele recebeu 3.558 votos para deputado estadual, um valor distante dos 16.027 votos conquistados em 2024, quando disputou a Prefeitura de Três Lagoas contra Cassiano Maia. Após duas disputas consecutivas, Ruy decidiu encerrar sua trajetória eleitoral, reconhecendo que a política pode custar caro e nem sempre devolve o capital eleitoral construído em eleições anteriores. A decisão de Ruy Costa de se afastar reflete a dificuldade de manter uma carreira política em meio à competição acirrada.
Três Lagoas registrou 23.379 eleitores ausentes no primeiro turno, correspondendo a 26,42% do eleitorado. Esse índice ficou acima do registrado em Mato Grosso do Sul, que teve 23,88% de abstenção, e chamou atenção em uma eleição com seis cargos em disputa. No Estado, foram 482.860 faltosos, mostrando que a abstenção deixou de ser apenas um detalhe estatístico e passou a influenciar o desenho da eleição. A abstenção de 26,42% em Três Lagoas é preocupante, pois pode alterar a composição dos cargos em disputa.
Abstenção e renovação
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul terá 33,3% de renovação. Dos 24 deputados eleitos, oito são caras novas no plenário, enquanto a maioria permanece veterana. A eleição, portanto, alterou algumas cadeiras, mas preservou boa parte dos antigos legisladores, refletindo um equilíbrio entre continuidade e mudança no cenário político estadual. A renovação de 33,3% indica que o cenário político estadual está em transição, com novos representantes trazendo perspectivas diferentes.







