Os Estados Unidos elevaram a previsão de exportações agrícolas para o ano fiscal de 2026. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) atualizou a estimativa para US$ 179,5 bilhões. O valor representa um aumento de US$ 3 bilhões em relação à projeção de maio. No ano fiscal anterior, as vendas americanas somaram US$ 176,3 bilhões.
No Brasil, as exportações do agronegócio atingiram US$ 103,39 bilhões de janeiro a julho de 2026. O resultado indica alta de 6% sobre o mesmo período de 2025. Em agosto, o setor vendeu US$ 15,18 bilhões ao exterior. Com isso, o acumulado de oito meses chega a cerca de US$ 118,6 bilhões.
Metodologias divergentes
A comparação direta entre os dois países exige cautela. O ano fiscal americano vai de outubro a setembro, diferente do calendário brasileiro. Além disso, as definições de produtos agrícolas variam. O USDA segue a definição da Organização Mundial do Comércio (OMC). Essa regra exclui máquinas agrícolas, fertilizantes, pescados e produtos florestais.
Já a estatística do agronegócio brasileiro inclui os produtos florestais. Nesse grupo está a celulose, item que pesa significativamente na conta nacional. Até julho de 2026, os produtos florestais responderam por 9,5% das exportações do agro brasileiro. Segundo o Banco do Nordeste, esse percentual equivale a cerca de US$ 9,8 bilhões em sete meses.
Sozinho, esse valor é quase cinco vezes maior que a diferença que separava os dois países em 2025. Naquele ano, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas. O valor ficou apenas US$ 2 bilhões acima do registrado pelo Brasil. O Financial Times (FT) publicou esses dados em 21 de julho, citando o USDA e o Ministério da Agricultura brasileiro.
Impacto em Mato Grosso do Sul
A celulose é um dos três principais produtos de exportação de Mato Grosso do Sul. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), soja, celulose e carne bovina somaram 77,35% das vendas externas do Estado entre janeiro e julho. No período, MS exportou US$ 7,21 bilhões, alta de 12,76% sobre o mesmo intervalo de 2025.
A soja liderou a pauta exportadora do estado, com US$ 2,43 bilhões e 33,64% do total. Entre os municípios, Três Lagoas respondeu pela maior fatia das exportações estaduais, com 17,26%. Ribas do Rio Pardo ficou em terceiro lugar, com 10,82% do total. Esses números mostram a relevância do setor para a economia local.
Um primeiro sinal de setembro veio da balança comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgada na terça-feira (6). A agropecuária exportou US$ 7 bilhões no mês, alta de 4,8%. De janeiro a setembro, o total foi de US$ 64,8 bilhões, avanço de 8,9%. Porém, esses números não se comparam diretamente aos do Ministério da Agricultura. Na classificação do MDIC, produtos processados como a celulose entram na indústria de transformação, e não na agropecuária.
O próprio Financial Times tratou o número brasileiro com ressalva. O jornal se referiu ao total declarado pelo Brasil. Analistas apontam que o resultado se beneficiou da desorganização comercial provocada pelas tarifas de Donald Trump. A disputa pela liderança de 2026 ainda não tem resposta definitiva. O balanço de setembro do agro brasileiro deve atualizar a disputa. O USDA divulga nova revisão das projeções americanas em 24 de novembro. A conclusão final dependerá dos números fechados do ano e da metodologia usada na comparação.








