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Corpo de jovem de 21 anos é encontrado enterrado em área de mata em Três Lagoas

Equipes da Polícia Civil localizaram no fim da tarde de domingo (21) o corpo de Ryan Veiga, 21 anos, enterrado em uma área de mata às margens da Estrada do Porto de Areia, em Três Lagoas (MS). O cadáver foi localizado após denúncias anônimas que indicavam a presença de restos mortais na região, tradicionalmente utilizada como rota de acesso a ranchos às margens do rio Paraná.

De acordo com informações repassadas pelos investigadores, o alerta inicial chegou por telefone. Com base na descrição do ponto exato, agentes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros Militar iniciaram buscas por volta das 15h. Após percorrerem trilhas estreitas usadas por pescadores, as equipes identificaram um trecho de solo recentemente remexido. Bombeiros começaram a escavar manualmente o local e, a aproximadamente 1,20 metro de profundidade, encontraram um corpo envolto em lençol e coberto por terra compactada.

O local foi imediatamente isolado para a realização dos trabalhos periciais. Peritos da Polícia Científica documentaram a cena, coletaram vestígios e examinaram as condições do terreno, procedimento considerado essencial para definir a dinâmica do crime. Depois da liberação da perícia, o corpo foi removido para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) de Três Lagoas, onde exames necroscópicos e coleta de impressões digitais foram executados.

No Imol, familiares de Ryan Veiga compareceram e fizeram o reconhecimento oficial por meio de características físicas e tatuagens. Segundo os peritos, os primeiros indícios sugerem que o jovem sofreu agressões na região da cabeça provocadas por objeto contundente. Entretanto, a causa exata do óbito será confirmada somente após a conclusão dos laudos necroscópico e toxicológico, que também deverão indicar o intervalo aproximado entre a morte e o enterramento.

A Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) instaurou inquérito para apurar autoria, motivação e circunstâncias do homicídio. Investigadores afirmam trabalhar em três frentes: análise de mensagens e ligações do celular da vítima, verificação de câmeras de segurança localizadas em propriedades rurais vizinhas e coleta de depoimentos de moradores que circulam pela estrada. A polícia não descarta a participação de mais de um envolvido, hipótese reforçada pela profundidade da cova e pela necessidade de transporte do corpo até um ponto de difícil acesso.

Ryan Veiga era irmão de Richard Veigas de Oliveira, 19 anos, assassinado em junho de 2023. Na ocasião, Richard foi baleado na nuca durante desentendimento relacionado a disputa de pipas no loteamento Orestes Prata Tibery (O.T.), também em Três Lagoas. Ele permaneceu oito dias internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Auxiliadora e morreu em 3 de julho de 2023. O inquérito daquele caso apontou Lucas Frazão da Silva, conhecido como “Baianinho”, como autor do disparo e identificou uma segunda pessoa suspeita de instigar o conflito que antecedeu o crime.

A repetição de episódios violentos na mesma família chamou atenção dos investigadores, mas, até o momento, não há confirmação de ligação entre os dois homicídios. Autoridades analisam se Ryan vinha recebendo ameaças ou se teve envolvimento recente em discussões que pudessem resultar em represália. A linha de investigação também inclui eventual disputa por território ou cobrança de dívidas, hipóteses comuns em casos de ocultação de cadáver na região leste do município.

O trecho da Estrada do Porto de Areia onde Ryan foi encontrado já foi cenário de outros crimes, entre eles o homicídio de Kauan Ferreira da Silva, 18 anos, em maio de 2025. À época, o corpo do jovem também foi localizado em área de mata, a poucos quilômetros do ponto atual. Para a Polícia Civil, a geografia do local — composto por mata fechada, poucos moradores fixos e circulação esporádica de veículos — favorece o descarte de vítimas e dificulta a coleta de testemunhos imediatos.

Enquanto aguardam os resultados dos laudos periciais, os investigadores seguem ouvindo parentes, amigos e pessoas que tiveram contato recente com a vítima. A expectativa é reunir elementos suficientes para solicitar mandados de busca, apreensão e, se for o caso, prisão temporária de suspeitos. O setor de inteligência da Polícia Civil também faz cruzamento de dados de ocorrências anteriores para identificar padrões que possam relacionar o novo homicídio a outros delitos registrados em Três Lagoas.

Até a publicação desta reportagem, nenhum suspeito havia sido detido. A Polícia Civil reforça a importância de denúncias anônimas e disponibiliza canais de comunicação confidenciais para receber informações que possam contribuir com a investigação.

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