O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou nesta terça-feira (28) a distribuição de R$ 13,04 bilhões aos cotistas. O montante corresponde ao resultado positivo obtido pelo Fundo em 2025 e beneficiará aproximadamente 138,2 milhões de trabalhadores com saldo em contas vinculadas, ativas ou inativas, em 31 de dezembro daquele ano.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, os créditos serão lançados diretamente nas contas do FGTS na primeira quinzena de agosto, prazo que poderá se estender, por determinação legal, até 31 de agosto. Após o lançamento, o valor passará a compor o saldo do trabalhador, mas permanecerá sujeito às normas habituais de saque, como demissão sem justa causa, aposentadoria ou aquisição de imóvel próprio.
Percentual e cálculo individual
Do lucro bruto de aproximadamente R$ 14,7 bilhões registrado em 2025, o Conselho Curador destinou R$ 13,042 bilhões, o que representa cerca de 89% do total, para reforçar as contas dos trabalhadores. O percentual que incidirá sobre cada conta foi definido em 1,87%. Dessa forma, quem possuía R$ 1.000 em 31 de dezembro de 2025 receberá crédito próximo de R$ 18,70; já um saldo de R$ 5.000 resultará em aproximadamente R$ 93,50. O cálculo é proporcional e varia conforme o valor existente na data de referência.
Rentabilidade acumulada em 2025
Com a nova distribuição, a rentabilidade global do FGTS referente a 2025 atingirá 6,90%. Esse índice contempla a remuneração tradicional — formada pela Taxa Referencial (TR) somada a juros de 3% ao ano — acrescida da fatia do lucro agora aprovada. Segundo a pasta do Trabalho, o rendimento superou a inflação oficial medida pelo IPCA em 2,53 pontos percentuais no período.
Arrecadação, saques e aplicações
O balanço financeiro apresentado ao Conselho Curador mostra que o FGTS registrou a maior arrecadação de sua história no ano passado. As contribuições dos empregadores avançaram de R$ 192,5 bilhões, em 2024, para R$ 212,56 bilhões em 2025. Paralelamente, os saques totalizaram R$ 190,4 bilhões, alta de 18,3% em relação aos R$ 160,9 bilhões verificados no exercício anterior.
Entre os motivos para retirada de recursos, rescisões contratuais e pagamento de multas rescisórias responderam por 31,3% do total. O saque-aniversário veio em seguida, com 28,6%. A utilização para aquisição de moradia respondeu por 14%, enquanto aposentadorias representaram 7,5%. Outras multas ligadas ao saque-aniversário somaram 7,2%.

Imagem: Gerada IA Adriano Hany
Impacto social e ações emergenciais
Em 2025, o FGTS financiou a aquisição ou construção de habitação para 633 mil famílias, volume 4,2% superior ao registrado em 2024. Além disso, recursos do Fundo foram direcionados a situações de calamidade pública em 662 municípios, beneficiando cerca de 283 mil trabalhadores afetados.
Patrimônio e resultados financeiros
Os ativos totais do FGTS atingiram R$ 837,7 bilhões. Já o patrimônio líquido avançou 6,1%, passando de R$ 118,7 bilhões para R$ 126 bilhões. As receitas do Fundo também cresceram, saltando de R$ 52,5 bilhões em 2024 para R$ 64,5 bilhões em 2025.
Disponibilidade dos recursos
A distribuição de resultados não autoriza o saque imediato das quantias creditadas. Os valores ficarão retidos na conta vinculada e poderão ser movimentados apenas nas hipóteses previstas em lei: demissão sem justa causa, término de contrato por prazo determinado, aposentadoria, compra da casa própria, algumas doenças graves, falecimento do titular, saque-aniversário e outras situações específicas.
Com a aprovação, o Conselho Curador cumpre a exigência legal de repassar aos cotistas parte do lucro anual do FGTS, garantindo que a remuneração do Fundo ultrapasse a inflação e mantenha o poder de compra dos saldos, ao mesmo tempo em que preserva recursos para o financiamento de políticas públicas de habitação, saneamento e infraestrutura urbana.







