A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) da Polícia Civil abriu inquérito para esclarecer as circunstâncias da morte de Terezinha Nantes de Arruda, 54 anos, e de seu marido, Joel Escócia Carvalho, 59, encontrada na tarde de segunda-feira (27) dentro da residência do casal, na Vila Bandeirantes, em Campo Grande. A linha de investigação preliminar aponta para feminicídio praticado por Joel, seguido de suicídio.
De acordo com a polícia, o filho do casal chegou à casa por volta do horário de almoço — visita que realizava diariamente — e se deparou com os pais caídos em cômodo interno, cercados por marcas de sangue. Ele acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas as equipes constataram que ambos já estavam sem vida. Ao lado dos corpos foi recolhida a faca que teria sido utilizada no crime. Todo o material presente na cena passou por perícia.
Relatos colhidos com familiares e vizinhos indicam que o relacionamento durava aproximadamente três décadas, sem histórico registrado de violência doméstica ou medidas protetivas em vigor. A ausência de ocorrências anteriores, entretanto, não impediu que o caso fosse imediatamente classificado como feminicídio, uma vez que a motivação investigada é a condição de gênero da vítima, prevista na legislação penal brasileira.
O laudo de local, emitido de forma preliminar, aponta sinais de defesa em Terezinha, sugerindo que ela tentou se proteger antes de sofrer os golpes fatais de faca. A Polícia Científica ainda realiza exames detalhados para confirmar dinâmica, quantidade de ferimentos e ordem cronológica dos fatos. Os resultados serão anexados ao inquérito conduzido pela Deam, que também ouvirá testemunhas e levantará eventuais fatores de risco ignorados pelo casal ao longo dos anos.
Com esses dois óbitos, Mato Grosso do Sul passou a registrar 16 casos de feminicídio em 2026, sendo este o terceiro na capital desde janeiro. O número mantém o estado em atenção diante do crescimento dos índices de violência contra mulheres, embora, no episódio em análise, não tenha havido alertas prévios que justificassem medidas protetivas por parte do Poder Judiciário.
O corpo de Joel apresentava ferimento compatível com a mesma arma branca recolhida no local, reforçando a hipótese de suicídio após a agressão à esposa. Investigadores, porém, ainda não descartam totalmente outras possibilidades, aguardando a conclusão de laudos cadavéricos e exames de toxicologia. Detalhes como horário exato das mortes, consumo de bebidas alcoólicas ou substâncias psicoativas e eventual discussão anterior estão sob verificação.

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Além da coleta de provas materiais, a Polícia Civil analisa informações sobre o comportamento recente do casal. Pessoas próximas relataram convivência aparentemente pacífica, sustentada ao longo de trinta anos. A investigação busca compreender se fatores como questões financeiras, problemas de saúde ou conflitos pontuais podem ter contribuído para o episódio.
Enquanto prosseguem os trabalhos periciais, os corpos foram liberados para velório e sepultamento. O caso permanece em apuração na Deam, que deverá encaminhar relatório final ao Ministério Público assim que toda a documentação técnica estiver concluída.
Canais de ajuda e denúncia
Violência contra a mulher constitui crime e pode ser denunciada de forma anônima e gratuita. Em situações de emergência, a Polícia Militar atende pelo número 190. A Central de Atendimento à Mulher recebe relatos 24 horas por dia pelo telefone 180. Para suporte emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) opera no 188, enquanto o Grupo Amor Vida (GAV) disponibiliza a linha gratuita 0800 750 5554.







