O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), deputado estadual Gerson Claro (Progressistas), defendeu em Três Lagoas a necessidade de equilibrar o crescimento econômico com investimentos robustos em infraestrutura, logística, saúde e qualificação profissional. A declaração foi feita durante entrevista ao Grupo RCN de Comunicação, realizada no âmbito de uma agenda política no município. O político, que é candidato à reeleição, enfatizou que o desenvolvimento regional exige planejamento e recursos consistentes.
Segundo Gerson Claro, a atuação da Assembleia Legislativa é fundamental para a aprovação do orçamento estadual, garantindo o equilíbrio fiscal e a capacidade de investimento do governo. Ele apontou que Mato Grosso do Sul destina entre 12% e 15% do seu orçamento para infraestrutura, índice que classificou como um dos maiores do país. Essa priorização, na visão do presidente da Casa, é essencial para sustentar o crescimento e atender às demandas da população.
Desafios na infraestrutura
Ao ser questionado sobre o contorno rodoviário de Três Lagoas, obra citada como parada desde 2024, o deputado explicou que projetos com competência ou participação do governo federal têm enfrentado dificuldades de andamento. Ele citou a UFN 3 e o próprio contorno como exemplos de iniciativas que, em sua avaliação, requerem forte articulação política para avançarem. A lentidão em obras federais é um ponto de atenção para o desenvolvimento logístico da região.
Para mitigar esses gargalos, Claro mencionou financiamentos assinados no ano passado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O pacote inclui R$ 2 bilhões destinados à infraestrutura de estradas ligadas à rota da celulose e R$ 950 milhões para investimentos internos nos municípios. O objetivo, segundo o parlamentar, é criar uma base sólida para que o investimento público acompanhe e estimule o crescimento do setor privado.
Logística e produção
A entrevista também abordou a situação da Malha Oeste. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) abriu uma nova licitação superior a R$ 200 milhões para a conservação da ferrovia. Deste total, um lote de quase R$ 26 milhões envolve mais de 200 quilômetros na região de Três Lagoas. Para Gerson Claro, a conservação dos trilhos é necessária, mas o próximo passo deve focar na retomada efetiva do transporte de cargas.
O deputado defendeu investimentos ferroviários e hidroviários como parte da estratégia para sustentar a expansão produtiva do estado. Ele citou a produção de minério em Corumbá e o avanço da cadeia da celulose como setores que dependem de um escoamento mais eficiente. Atualmente, o estado possui 1,8 milhão de hectares de eucalipto plantado, e a meta é chegar a 2 milhões. Claro questionou a viabilidade de transportar todo esse volume e a celulose produzida exclusivamente pelas rodovias, destacando a urgência de diversificar a malha logística.
No âmbito social, o presidente da Alems afirmou que Mato Grosso do Sul vive um cenário de pleno emprego. No entanto, ele ressaltou a necessidade de preparar melhor a população local para ocupar as vagas geradas pelo crescimento econômico. A educação foi apontada como o principal caminho para essa qualificação, com o estado contando com 350 escolas estaduais. Três Lagoas e Inocência foram citados como exemplos de municípios que recebem grande volume de trabalhadores de fora.
Em Inocência, conforme relatado pelo deputado, há 13 mil pessoas trabalhando apenas na obra em andamento, sendo 90% desse contingente formado por pessoas de outras regiões. Após a conclusão da obra, a previsão é de que 4 mil trabalhadores permaneçam na operação. Esse fluxo de mão de obra reforça a importância de políticas de qualificação profissional para que a população local possa aproveitar as oportunidades geradas pelos novos empreendimentos.
Na área da saúde, Gerson Claro voltou a defender a regionalização do atendimento, com foco no Hospital Regional de Três Lagoas. Ele avaliou que a construção da unidade não é o maior obstáculo, estimando o custo entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões. O verdadeiro desafio, segundo o parlamentar, está no custeio. Manter um hospital com atendimento total e alta complexidade poderia exigir R$ 200 milhões por ano, o que impõe um desafio orçamentário significativo.
Claro declarou que o orçamento é o principal problema para a regionalização, pois é necessário garantir recursos para que a unidade consiga atender toda a região de forma adequada. Ele também mencionou um movimento na Secretaria de Saúde para pagar cirurgias e exames com base na produtividade, o que exigiria aporte de recursos tanto do estado quanto dos municípios. Essa proposta busca otimizar os gastos e melhorar a eficiência do sistema de saúde público.
Sobre as entregas do atual mandato para Três Lagoas, o deputado citou uma emenda individual de R$ 150 mil para o esporte, apresentada a partir de solicitação do vereador Pedrinho, além de uma complementação estadual de R$ 50 mil. Ele também destacou que a atuação da Assembleia permitiu a chegada de investimentos estaduais em áreas como recapeamento, asfalto novo e saneamento. A aprovação dos R$ 950 milhões na Casa foi mencionada como um marco, assim como a participação nas discussões dos programas MS Ativo 1 e MS Ativo 2, realizadas ao lado do prefeito Cassiano e de vereadores.
Gerson Claro encerrou a entrevista pedindo atenção do eleitor para a votação de 4 de outubro. Ele ressaltou que a decisão tomada nas urnas terá impacto direto na vida das famílias, dos municípios, do estado e do país. A eleição é vista como um momento crucial para definir as prioridades de investimento e gestão que orientarão o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul nos próximos anos.








