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Ex‑vice‑presidente da Santa Casa é excluído de mandado de prisão na Operação Antidotum

Alir Terra e Jary de Castro ao lado Foto: Reprodução

Na manhã da última sexta‑feira (11), a Justiça de Campo Grande expediu mandados de prisão no âmbito da Operação Antidotum, mas o ex‑vice‑presidente da Santa Casa de Campo Grande, Jary de Carvalho Castro, ficou fora da medida preventiva.

A decisão foi proferida pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, que reconheceu a existência de indícios de participação de Jary nos fatos investigados, porém considerou insuficiente o risco atual de fuga, de interferência nas investigações ou de perturbação da ordem pública para autorizar a prisão preventiva.

Áudios e contrato

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) juntou ao processo um áudio encaminhado a Maurício Aparecido Benites, dirigente da Redvalue, empresa contratada pela Santa Casa para serviços de digitalização. Na gravação, Jary comenta a dificuldade de efetuar um pagamento de R$ 1,8 milhão de uma só vez e menciona que verificaria com Rinaldo Hakme Romano a possibilidade de parcelar o repasse. O mesmo trecho indica que a instituição estava sob fiscalização.

Além do áudio, os autos apontam Jary como integrante da cadeia decisória da contratação da Redvalue. Segundo o Ministério Público, ele teria participado das tratativas que culminaram na formalização do contrato, o que reforça a tese de que a liberação dos recursos foi negociada diretamente entre membros da estrutura interna da Santa Casa e o empresário.

Risco de prisão

Entre janeiro e 16 de abril de 2025, o contrato com a Redvalue resultou em 1.772.198 páginas digitalizadas. Ao custo unitário de R$ 0,05, o valor correspondente seria de R$ 88.609,90. Contudo, os pagamentos efetuados totalizaram R$ 750 mil, gerando um descompasso de R$ 661.390,10. Essa diferença alimenta a suspeita de superfaturamento e motivou a investigação sobre a forma como os recursos foram liberados.

Jary deixou a administração da Santa Casa em janeiro de 2026, cerca de sete meses antes da expedição dos mandados de prisão. A magistrada entendeu que a perda do vínculo funcional e administrativo “enfraquece significativamente” os fundamentos relacionados ao risco de reiteração e de interferência nas investigações, razão pela qual a prisão preventiva foi negada.

A decisão judicial faz distinção entre indícios de atuação passada e a necessidade de demonstrar risco concreto e contemporâneo. Embora a gravidade dos fatos e os indícios de autoria e materialidade estejam presentes, a magistrada considerou que não há elementos que comprovem que Jary ainda exerça influência sobre a atual gestão da Santa Casa ou que tenha acesso à estrutura administrativa capaz de obstruir a produção de provas.

O processo segue em andamento. Jary permanece como investigado e citado como interlocutor nas negociações analisadas pelo MPMS, mas ainda não há condenação ou absolvição. A Justiça pode reavaliar a medida preventiva caso surjam novos elementos que indiquem risco de fuga ou de obstrução das investigações.

A reportagem tentou contato com Jary de Carvalho Castro para obter manifestação, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição. O caso permanece aberto, e novas diligências do Ministério Público e da Polícia Civil deverão esclarecer a extensão da suposta irregularidade nos pagamentos à Redvalue e a eventual responsabilidade penal dos envolvidos.

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