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Consórcio Guaicurus questiona auditoria de R$ 830 mil contratada na intervenção do transporte de Campo Grande

A intervenção começou no dia 16 de junho, após a Prefeitura apontar irregularidades na prestação do serviço Foto: PMCG

Na quarta‑feira (23), o Consórcio Guaicurus apresentou contestação formal à Comissão Processante da Intervenção, questionando a contratação da empresa Alvarez & Marsal para realizar auditoria financeira no transporte coletivo de Campo Grande. O Consórcio alega que o gasto de R$ 830 mil pode comprometer ainda mais o caixa da operação, que já enfrenta dificuldades financeiras graves.

O contrato, firmado pela comissão interventora, tem valor de R$ 830 mil, o que equivale a aproximadamente 20 % da folha de pagamento mensal de toda a rede de ônibus da capital e a cerca de 15 % dos gastos mensais com combustível, segundo cálculos apresentados pelo Consórcio. O pagamento está previsto para ser feito com recursos da própria concessão, o que, segundo a empresa, pode reduzir ainda mais o saldo disponível para a manutenção dos serviços.

Na petição, o Consórcio sustenta que a Lei Municipal nº 4.584/2007 determina que a equipe de intervenção abra uma conta específica em nome da Prefeitura e utilize os recursos exclusivamente para despesas relacionadas à continuidade e à operação do serviço. Por esse motivo, argumenta que a análise das contas deveria ser atribuição dos próprios interventores, não de empresa terceirizada.

Além disso, o Consórcio aponta que a contratação da auditoria não atende a uma necessidade direta da operação dos ônibus, mas sim a uma demanda do Poder Concedente. Dessa forma, defende que a despesa deveria ser custeada pelo orçamento municipal e seguir as regras previstas na Lei Federal nº 14.133/2021, que regula licitações e contratos administrativos.

Auditoria contestada

O Consórcio Guaicurus solicitou à Comissão Processante o acesso a toda a documentação que embasou a contratação, incluindo a íntegra do contrato com a Alvarez & Marsal, o escopo dos serviços, as propostas apresentadas por outras empresas e os estudos contábeis que justificaram a destinação de R$ 830 mil para a auditoria. A empresa também questiona a prioridade dada ao gasto diante de outras despesas consideradas essenciais para manter a operação da frota.

Segundo o Consórcio, a auditoria poderia ser executada internamente pelos interventores, reduzindo custos e evitando a alocação de recursos escassos em serviços que, a seu ver, não são imprescindíveis para a continuidade do transporte. A argumentação se baseia na necessidade de preservar o caixa da concessão, que já apresenta saldo reduzido e enfrenta dificuldades para honrar a folha de pagamento e adquirir combustível.

Finanças da intervenção

O debate ocorre em meio a um cenário de fragilidade financeira identificado pela própria equipe interventora. Relatório preliminar divulgado nesta semana mostrou que, em 16 de junho, data em que a intervenção assumiu o controle do sistema, havia apenas R$ 415 mil disponíveis em caixa, enquanto a folha de pagamento que venceria dias depois ultrapassava R$ 1 milhão. O documento também apontou dificuldades de acesso a crédito bancário e estoque insuficiente de combustível.

A intervenção no transporte coletivo de Campo Grande começou em 16 de junho de 2026, após a Prefeitura apontar irregularidades na prestação do serviço, e tem prazo previsto de até 180 dias para regularizar a situação. Agora, a Comissão Processante deverá analisar os questionamentos apresentados pelo Consórcio Guaicurus e disponibilizar a documentação requerida, decisão que pode determinar se os recursos da concessão serão destinados à auditoria ou se o gasto será reavaliado diante das restrições orçamentárias da municipalidade.

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