Depois de oito anos sem uma nova edição, o Grito Rock Dourados volta à cidade de Dourados (Mato Grosso do Sul) com uma programação que combina música, artes visuais, literatura, audiovisual, infância, circo, sustentabilidade, memória e cultura indígena. O festival acontece nos dias 25, 26 e 27 de setembro, ocupando a Praça do Cinquentenário e a Aldeia Jaguapiru, e promete reunir artistas, coletivos e o público em doze frentes temáticas diferentes.
A idealizadora do evento, Fabi Fernandes, explica que a diversidade da programação reflete a própria trajetória do Grito Rock. “O Grito Rock volta a Dourados não apenas para retomar uma programação que já fez parte da história da cidade, mas para mostrar como a produção cultural independente mudou e se ampliou. São diferentes linguagens, diferentes públicos e diferentes territórios se encontrando dentro de um mesmo festival”, afirma.
As doze frentes que estruturam o festival são: Grito Rock (eixo musical), Grito Hip Hop (batalhas e cultura urbana), Grito Slam (poesia falada), Grito D’Ellas (protagonismo feminino), Grito Verde (sustentabilidade), Grito Litera (literatura e palavra), Grito Tekoha Sapucaí (cultura e protagonismo indígena), Circo Grita, Cine Grito, Gritinho (público infantil), Expo Grito (produção independente e economia criativa) e Grito Flashback (memória musical dos anos 1980 e 1990).
Programação diversificada
Uma novidade desta edição é o Techno Grito, espaço dedicado à música eletrônica que reúne DJs, workshops, tecnologia e experiências da cena independente. Na sexta‑feira (25) e no sábado (26), o palco Techno Grito apresenta artistas como Davalos, Delira, Taí Franco, MADB, CKAY, Vitrola, Baileon, Wrong Guy DJ, Shey Guess, Scott Hill, Bocara, Keertana, Trinity, Najja e o Coletivo Mba’ekuaa.
Na sexta‑feira, o Palco Grito Rock abre às 19h com a cerimônia oficial. Em seguida, Miliano sobe ao palco às 19h30, Beca Rodrigues apresenta o Grito D’Ellas às 20h30, Lumaçê convida Hindyra, Miliano, Michelli Lemes e Nana Coloral para o show das 21h30, e Rocker 163 encerra a noite às 22h30. Simultaneamente, o Techno Grito inicia às 16h com a apresentação de Davalos, seguida por Delira, Taí Franco, MADB, CKAY e Vitrola.
O sábado (26) começa às 14h com o Circo Grita, que abre a tarde com performances circenses. Às 15h ocorre a Batalha de Slam Estadual, e às 17h o Grito Hip Hop promove a Batalha de Rima Estadual, cujas finais são apresentadas às 18h30. Às 19h, o Grito Ballroom apresenta a Vogue Jam; às 20h, Brô MC’s faz um show especial com Emmanuel Marinho e Marina Peralta; às 21h30, Dimitri Pellz convida Os Alquimistas; a noite se encerra com Xupakabras às 22h30 e Shadow Legacy às 23h30. O Techno Grito, por sua vez, inicia às 14h com o Coletivo Mba’ekuaa e segue com Baileon, Wrong Guy DJ, Shey Guess, Scott Hill, Bocara, Keertana, Trinity e Najja.
No domingo (27), o festival amplia sua ocupação. Na Praça do Cinquentenário, o Grito Flashback celebra o Dia Municipal do Flashback com a terceira edição do Paquera Gold Times. A partir das 14h há aulão de passinho e sorteio de brindes; das 15h às 17h, os DJs Rafa, Michel e Almir comandam a pista; às 17h ocorre a abertura oficial com recadinhos e mais brindes; das 18h às 23h, o Projeto Gold Times reúne os DJs oficiais Junio Silveira, Markão Cavalheiro, DJ Ander, DJ Ambrozine e DJ Vagner, apresentados por Danilo Capilé e Mara Simões.
Investimento e apoio
Paralelamente, a Aldeia Jaguapiru sedia o Grito Tekoha Sapucaí, que traz ações de cultura urbana, formação, cinema e música. Às 13h são realizadas as batalhas da União, do Parque, do Ayvu, da Jaguapiru R.A.P e da Bororó. Às 16h, Raffaella Fryer‑Moreira e DJ Bocara conduzem um workshop de música eletrônica e formação profissional artística. Às 17h30, o Cine Grito apresenta o lançamento do filme “A Pele Morta”. A programação musical começa às 19h30 com Rossin‑PY, Boliboli‑MS e Vitrola‑SP, com o sistema de som Vamo Apela responsável pela amplificação.
O retorno do Grito Rock Dourados reforça uma característica histórica do festival: a ocupação de espaços públicos como territórios de criação, circulação artística e encontro entre diferentes comunidades. Ao transformar praças e aldeias em palcos, o evento promove a democratização do acesso à cultura e estimula o diálogo entre públicos que, muitas vezes, não se cruzam em ambientes convencionais.
Financeiramente, o festival conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal por meio do Ministério da Cultura (MinC), e da execução estadual pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS). O apoio institucional garante a viabilidade das diversas frentes, dos workshops, das batalhas e das produções independentes que compõem a programação.
Para a população de Dourados, o Grito Rock representa mais que um evento musical; é uma oportunidade de vivenciar diferentes linguagens artísticas, de participar de oficinas, de assistir a filmes e de celebrar a cultura indígena local. A expectativa é que a iniciativa atraia milhares de visitantes, dinamize a economia criativa da região e fortaleça a rede de produtores independentes que vêm se consolidando nos últimos anos.
Com a programação completa divulgada, a organização indica que a edição de 2024 pode servir de base para futuras edições, ampliando ainda mais a variedade de frentes e a participação de novos coletivos. O próximo passo da equipe organizadora será a avaliação do impacto social e econômico do festival, a partir de pesquisas de público e relatórios de produção, com a intenção de apresentar resultados ao Ministério da Cultura e à PNAB ainda neste ano.







