O primeiro turno das eleições gerais deste ano registrou índice de abstenção acima da média, reflexo de fortes chuvas e do descontentamento de eleitores que perceberam a disputa polarizada entre apenas dois candidatos. A segunda votação está marcada para 24 de outubro, exatamente quinze dias depois, e a propaganda eleitoral gratuita começou ontem, sem novidades relevantes até o momento.
Ambos os candidatos intensificaram a presença nas redes sociais, tratando-as como principal ferramenta de campanha. Contudo, analistas apontam que entrevistas ao vivo em rádio e televisão serão decisivas para esclarecer a seriedade dos compromissos democráticos e os planos de gestão que cada concorrente pretende implementar.
A participação do eleitor nas urnas permanece o grande desafio. Espera‑se que os cidadãos que votaram no primeiro turno retornem às seções, bem como aqueles que se abstiveram por qualquer motivo, para manifestar suas preferências e definir quem assumirá a presidência da República.
Na região da Costa Leste, que reúne onze municípios, Três Lagoas destaca‑se como polo de desenvolvimento. No último pleito, a cidade e a vizinha Bataguassu elegeram um deputado estadual cada, sendo o de Bataguassu reeleito. Essa pluralidade demonstra que a região funciona como uma “praça de votos” aberta a qualquer candidato que consiga alinhar-se com lideranças locais e alcançar o quociente eleitoral necessário.
Desafio regional
Com mais de uma dezena de candidatos disputando cargos, o voto tem se fragmentado, dificultando a consolidação de maiorias claras. Nos últimos trinta anos, a região não conseguiu sensibilizar lideranças nem eleitores sobre a importância de evitar a dispersão de votos, o que pode reduzir a influência local nas decisões federais.
A representação de Três Lagoas e dos demais municípios da Costa Leste na Câmara dos Deputados é vista como essencial para garantir a presença institucional junto aos órgãos federais e a destinação de recursos para obras e serviços públicos. Se os onze municípios se unirem em torno de um único nome, aumentam as chances de eleger um deputado federal que não precise buscar apoio em outras áreas sem compromisso direto com a região.
Reformas constitucionais
A Constituição Federal completou 38 anos em 5 de outubro. Especialistas defendem a necessidade de atualizações, entre elas a adoção do parlamentarismo – sistema que prevê a coalização de partidos, a escolha de um primeiro‑ministro pela maioria e a possibilidade de substituição mediante perda de confiança do Parlamento. Outra proposta recorrente é a implementação do voto distrital, que garantiria representação mais fiel dos deputados federais e estaduais em cada região.
Independentemente do modelo adotado, a eleição presidencial de 2026 figura entre as mais acirradas da história recente. Defensores do parlamentarismo argumentam que disputas seriam mais racionais e os resultados, mais alinhados ao interesse da população. Enquanto isso, o país se prepara para o segundo turno, cuja participação será decisiva para definir o futuro político e institucional do Brasil.








