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Anzol Rosa reúne mulheres em Corumbá até 5 de novembro

Nesta edição, 17 barcos-hotéis foram destinados exclusivamente ao atendimento das participantes Foto: Divulgação

Corumbá, no Mato Grosso do Sul, recebe até o dia 5 de novembro a edição de 2026 do Anzol Rosa. O evento é o principal projeto de pesca esportiva voltado ao empoderamento feminino no Brasil. A iniciativa reúne mulheres de diferentes regiões para uma experiência pelo Rio Paraguai.

A programação conta com dois embarques. O primeiro ocorreu entre 28 de outubro e 1º de novembro. O segundo começou no dia 1º e segue até 5 de novembro. Ambos têm saída do Porto Geral de Corumbá. Nesta edição, 17 barcos-hotéis foram destinados exclusivamente ao atendimento das participantes.

A escolha de Corumbá está ligada à estrutura turística do município. Conhecida como Capital do Pantanal, a cidade possui mais de 20 barcos-hotéis. Ela abriga a maior frota desse tipo de embarcação da América Latina.

Impacto econômico local

Além de valorizar a participação feminina, o evento movimenta a economia local. O turismo responde por cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul. Isso equivale a aproximadamente R$ 4 bilhões por ano. A pesca esportiva está entre os segmentos que contribuem para esse resultado.

O Anzol Rosa surgiu em Corumbá e se tornou a primeira iniciativa brasileira dedicada exclusivamente à pesca esportiva feminina. Ao longo das edições de 2022, 2024 e 2026, o projeto já reuniu cerca de 2 mil pescadoras do Brasil, Paraguai e Bolívia.

Neste ano, o roteiro percorre mais de 200 quilômetros pelo Rio Paraguai. O destino é a região da Serra do Amolar e o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, em Poconé, no Mato Grosso. A organização envolve empresas locais e a Associação Corumbaense das Empresas Regionais de Turismo (ACERT MS). A logística é coordenada pela Joicetur.

Segundo as informações do projeto, outros estados já demonstraram interesse em receber edições do Anzol Rosa. No entanto, Corumbá mantém a exclusividade da iniciativa.

Protagonismo feminino na pesca

A proposta do Anzol Rosa vai além da atividade esportiva. A experiência do pesque e solte proporciona contato com a natureza e momentos de convivência. Ela também marca a ocupação feminina de um espaço historicamente associado aos homens.

A psicopedagoga Lilia Maria Gouveia Bezerra conta que a experiência no Rio Paraguai mudou sua percepção. “A história da pesca sempre foi uma coisa meio de homem, mas quando fui para o Rio Paraguai, eu acabei vendo muita mulher, além de famílias. É uma experiência marcante”, relata.

Para a pedagoga Delari Maria Bottega, a viagem representa uma oportunidade de pausa na rotina. “É uma experiência incrível porque a gente tira um tempo que é só para gente, em meio à natureza, com cenários lindos”, afirma.

A mineira Geny Grisoline Rosa participa da viagem acompanhada das duas filhas. Ela pesca há 40 anos e destaca a experiência de compartilhar o passeio com a família. “Eu pesco há 40 anos e vir pescar no Pantanal é viver uma natureza única, viver uma independência de estar só você em contato com essa paisagem. Dessa vez, trouxe minhas 2 filhas e ainda estamos em um grupo de 35 mulheres”, conta.

A filha, Letícia Grisoline, também destaca a ligação afetiva com a região. Ela já visitou o Pantanal outras vezes e diz que as experiências se transformaram em lembranças importantes. “Estar no Pantanal é muito bom e quando a gente volta parece que somos até famosos, porque lá na minha cidade todo mundo pergunta que animais eu vi, como foi navegar no rio. Para sentir tudo isso e essa energia é só vindo mesmo”, afirma.

A empresária Joice Carla Santana Marques, proprietária da Joicetur, destaca que os efeitos da atividade alcançam diferentes setores. “Quem vem pescar no Pantanal não consome só o rio. Ele se hospeda, come, contrata piloteiro, compra equipamento, conhece a cidade e volta. A pesca esportiva é a porta de entrada de uma cadeia inteira do turismo em Mato Grosso do Sul”, afirma.

O diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), Bruno Wendling, considera o Anzol Rosa uma iniciativa importante. “O Anzol Rosa é uma das grandes iniciativas da pesca esportiva de Corumbá. Um evento que reúne apenas mulheres, que valoriza a participação delas na pesca esportiva e que acabou mudando a oferta desse segmento, pois qualificou a oferta da pesca esportiva em Mato Grosso do Sul”, avalia.

Para o diretor-presidente da Fundação de Turismo do Pantanal, José de Carvalho Junior, conhecido como Zelinho, o desafio é fortalecer os pequenos negócios. “Mato Grosso do Sul está entre os principais destinos de pesca esportiva do país, e o Pantanal é uma marca reconhecida dentro e fora do Brasil. O desafio agora é qualificar os pequenos negócios que formam essa cadeia, do piloteiro à pousada, para que o turista encontre um padrão de excelência”, afirma.

Dados do Observatório do Turismo de Mato Grosso do Sul e da Capitania Fluvial do Pantanal mostram que a pesca esportiva ainda recebe principalmente turistas homens. 79,1% são homens e 20,9% são mulheres. O gasto médio informado é de R$ 6.600,51 por visitante, com permanência média de 5 dias.

São Paulo lidera entre os estados de origem dos turistas, com 31,1%. Seguem-se Paraná (21,2%), Minas Gerais (14,4%), Mato Grosso do Sul (9,5%), Goiás (6,6%), Rio Grande do Sul (4,9%), Santa Catarina (4%) e Distrito Federal (2,2%). Entre 2019 e 2024, o número de turistas na pesca esportiva cresceu 68%. No mesmo período, Bonito registrou aumento de 30% no fluxo turístico, enquanto os desembarques na Rodoviária de Campo Grande cresceram 6%.

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