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Comércio de Três Lagoas registra 36 fechamentos para cada 100 aberturas em 2026

Movimento comercial em Três Lagoas com abertura e fechamento de empresas em 2026

De acordo com a Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems), o comércio de Três Lagoas fechou 36 empresas para cada 100 que foram abertas no período de janeiro a outubro de 2026, evidenciando um desequilíbrio entre criação e encerramento de negócios no setor varejista da cidade.

No mesmo intervalo, a cidade registrou 648 novos empreendimentos, o que corresponde a uma média de cerca de 65 aberturas mensais. Esse volume coloca Três Lagoas em quarto lugar no ranking estadual de abertura de empresas em 2026.

O desempenho não é uniforme entre os segmentos econômicos. Nos quatro primeiros meses do ano, o comércio contabilizou 50 novas empresas e 18 encerramentos, resultando na taxa de 36 baixas para cada 100 aberturas. Já o setor de serviços apresentou apenas 8 encerramentos para cada 100 novas empresas.

Os números divulgados pela Jucems excluem os microempreendedores individuais (MEIs), que se registram diretamente no Portal do Empreendedor, mantido pelo governo federal, e que representam aproximadamente metade dos cerca de 16 mil CNPJs ativos no município, segundo levantamento do Sebrae.

Setor comércio

Além da proporção de encerramentos, o comércio de Três Lagoas tem a maior quantidade de baixas no primeiro quadrimestre, com 18 empresas encerradas, contra 16 no setor de serviços e apenas 1 na indústria. Em julho, a diferença entre aberturas e encerramentos quase desapareceu: foram 61 novas empresas e 54 encerramentos, o terceiro maior número de baixas do estado naquele mês, superado apenas por Campo Grande (428) e Dourados (100).

Os serviços lideram em número de novas empresas. De janeiro a abril, 201 negócios de serviços foram registrados, comparados a 50 no comércio e 20 na indústria, totalizando 271 aberturas e 35 baixas no município, com saldo positivo de 236 empresas.

O perfil de Três Lagoas acompanha o do estado. Em Mato Grosso do Sul, os serviços responderam por 76,3% das 14.063 empresas abertas de janeiro a outubro, o comércio por 20,8% e a indústria por 2,9%. O total de aberturas em 2026 já supera as 13.143 empresas registradas em todo o ano de 2025.

Em outubro, as atividades com maior número de registros no estado foram holdings de instituições não financeiras e atendimentos médicos restritos a consultas, com 45 empresas cada, seguidas por consultoria em gestão empresarial (41) e serviços de escritório e apoio administrativo (39).

Comparativo estadual

No âmbito estadual, os encerramentos cresceram. De janeiro a junho de 2026, a Jucems registrou 6.250 empresas fechadas, 720 a mais que no mesmo período de 2025, o que representa alta de cerca de 13%. Em outubro, o estado teve 1.245 aberturas e 800 baixas, resultando em saldo positivo de 445 empresas.

Comparada a outras cidades, Três Lagoas fica atrás de Campo Grande (5.929 empresas), Dourados (1.348) e Chapadão do Sul (1.325) no acumulado do ano. Chapadão do Sul abriu mais que o dobro de empresas que Três Lagoas em 2026. Em outubro, Três Lagoas registrou 62 aberturas, ficando em terceiro lugar no estado, atrás de Chapadão do Sul (171) e Dourados (123). O ritmo de abertura na cidade variou pouco ao longo do ano, com 45 aberturas em janeiro, 61 em julho, 70 em setembro e 62 em outubro.

Para o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, os dados mostram que Três Lagoas “continua atraindo novos negócios e mantendo um ambiente favorável para quem quer empreender”. Contudo, ele alerta que “o volume de encerramentos, especialmente no comércio, reforça a importância de criar condições para que essas empresas não apenas abram as portas, mas consigam se manter e crescer”. Wertheimer ainda destaca que “o empresário precisa de menos burocracia, mais segurança jurídica, acesso ao crédito e mão de obra qualificada para investir com confiança e gerar empregos”. O acompanhamento desses indicadores deve continuar nos próximos meses, com a Jucems divulgando os balanços mensais de aberturas e baixas, permitindo que autoridades municipais e estaduais ajustem políticas de apoio ao empreendedorismo.

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