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Abstenção dobra nas cidades onde Lula venceu e não altera resultado em MS

Gráfico mostra aumento da abstenção nas cidades onde Lula venceu em Mato Grosso do Sul.

A taxa de abstenção nas eleições de 2024 em Mato Grosso do Sul subiu de forma expressiva nas cidades onde o ex‑presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o primeiro turno, dobrando o aumento registrado em 2022. Nos seis municípios petistas, o percentual de eleitores que deixaram de comparecer às urnas passou de 23,93 % para 27,53 %, um salto de 3,6 pontos percentuais. Apesar da elevação, o resultado estadual manteve a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL), que conquistou 58,60 % dos votos válidos.

As cidades onde Lula liderou – Japorã, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Paranhos e Vicentina – concentram 57.682 eleitores, o que corresponde a menos de 3 % do eleitorado total do estado. Nesses municípios, a elevação da abstenção foi de 3,6 pontos percentuais, passando de 23,93 % em 2022 para 27,53 % em 2024. O aumento foi quase o dobro da alta observada nos 73 municípios vencidos por Flávio Bolsonaro, onde a taxa subiu apenas 1,7 ponto, de 22,03 % para 23,76 %.

Entre os redutos petistas, as maiores altas ocorreram em Paranhos e Tacuru. Em Paranhos, a taxa de eleitores ausentes saltou de 26,41 % para 33,67 %, a segunda maior alta do estado. Em Tacuru, o índice subiu de 26,95 % para 33,41 %. Já em Miranda – o maior colégio eleitoral entre as seis cidades – a abstenção avançou de 24,57 % para 27,72 %.

Crescimento da abstenção

Nos municípios conquistados por Flávio Bolsonaro, a maior elevação foi registrada em Santa Rita do Pardo, que registrou alta de 7,7 pontos, atingindo 33,75 % de eleitores ausentes – a maior taxa do estado. No total, a abstenção aumentou em 60 dos 79 municípios analisados. De acordo com os dados consolidados do TSE, o município com a maior taxa de não comparecimento foi Inocência, onde 35,44 % dos 7.251 eleitores aptos ficaram em casa. Água Clara, apontada como líder nas primeiras apurações, ficou em quinto lugar, com 33,49 % de abstenção.

Para mensurar o peso dos ausentes, o levantamento do RCN67 simulou um cenário de comparecimento total, assumindo que cada eleitor faltoso votaria nas mesmas proporções dos que compareceram em seu município. Nesse cenário, Flávio Bolsonaro teria 58,56 % dos votos válidos, enquanto Lula alcançaria 34,78 %. No resultado oficial, Flávio obteve 58,60 % e Lula 34,68 %, indicando que a vantagem do candidato do PL cairia de 23,9 ponto para 23,8 ponto. Em números absolutos, Flávio deixou mais eleitores em casa por possuir a maior base no estado; se a taxa de 2022 fosse mantida, cerca de 35,6 mil eleitores a mais teriam votado, distribuindo aproximadamente 19,9 mil votos a favor de Flávio e 12,2 mil a Lula.

Impacto no resultado

A queda de Lula no estado não se explica apenas pela maior abstenção. O petista recebeu 516.855 votos, 71.468 a menos que em 2022, enquanto Flávio Bolsonaro somou 873.351 votos, 79.145 a mais que Jair Bolsonaro (PL) quatro anos antes. O comparecimento geral diminuiu 13.929 eleitores, resultando em 483.210 ausentes – 23,87 % dos 2.024.430 eleitores aptos – a maior taxa entre as 27 unidades da federação e acima da média nacional de 21,08 %. Em Campo Grande, a capital, a abstenção foi de 20,11 % contra 17,55 % em 2022, com temporais na manhã da votação concentrando 16,5 mil dos 42,4 mil eleitores ausentes no estado.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE‑MS), desembargador Carlos Eduardo Contar, avaliou que o índice de 23,87 % ficou próximo da média histórica do estado, embora antes da votação ele tivesse estimado uma abstenção entre 23 % e 25 %. A continuidade da análise dos resultados deverá observar se a tendência de aumento da abstenção se repete nas próximas fases eleitorais e como isso pode influenciar a dinâmica dos candidatos nas demais disputas estaduais.

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