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Cheia do Rio Paraná isola 80 famílias e ameaça rebanhos em Batayporã

Rio Paraná em Batayporã com áreas alagadas e gado sendo retirado

A cheia do Rio Paraná forçou produtores rurais de Batayporã, no leste de Mato Grosso do Sul, a remover o gado das fazendas alagadas na região de Porto São José. Simultaneamente, cerca de 80 famílias na comunidade de Perdizes estão isoladas, com os dois acessos bloqueados pela água.

O nível do rio subiu aproximadamente dois metros, conforme informado pelo prefeito Germino Roz (PSDB). A Defesa Civil municipal está elaborando um relatório técnico que poderá servir de base para a decretação de situação de emergência no município.

Retirada do rebanho

Nas propriedades próximas ao Rio Paraná, parte do gado está sendo transferida para terrenos mais altos. Outros pecuaristas optaram pela venda dos animais para evitar prejuízos maiores com o avanço das águas. O prefeito destacou que a enchente de 2023 influenciou essa decisão antecipada, já que na ocasião houve dificuldades para manter os rebanhos nas áreas atingidas.

Os alagamentos também atingem fazendas às margens do Rio Baía, afluente do Paraná, e áreas de várzea do Rio Ivinhema, próximas a Batayporã e Ivinhema. A situação exige ação rápida dos produtores para garantir a segurança dos animais e reduzir perdas econômicas.

Comunidade isolada

A comunidade de Perdizes, localizada a 47 quilômetros da área urbana de Batayporã, enfrenta bloqueio total. Pelo lado de Batayporã, a água levou o aterro da estrada. No caminho por Taquarussu, o Rio Paraná ainda cobre o aterro, impedindo a passagem de veículos e pessoas.

O transporte escolar na região foi suspenso. A prefeitura afirma que a reconstrução do trecho destruído só poderá começar quando a água baixar. Até o momento, segundo o governo municipal, não há registros de famílias desabrigadas, apenas isoladas.

A piora da situação ocorreu nos últimos dez dias, após uma sequência de chuvas constantes. Entre setembro e outubro, o acumulado de chuva no município ultrapassou 600 milímetros, de acordo com dados fornecidos pelo prefeito. Nas estradas rurais, a água transbordou sobre aterros e abriu erosões em pontos onde não ficou acumulada. Cabeceiras de pontes foram danificadas, e há trechos onde as máquinas da prefeitura não conseguem chegar devido à profundidade da água.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já indicava, em seu prognóstico para outubro, chuva acima da média histórica no leste e no sudoeste de Mato Grosso do Sul. Essa previsão coincide com o período de maior intensidade das precipitações que afetam a região.

Além das chuvas, o prefeito atribui os alagamentos ao volume de água liberado pela Usina Hidrelétrica Porto Primavera, também conhecida como Engenheiro Sérgio Motta, no Rio Paraná. A assessoria da usina informou que a vazão está em cerca de 5.500 metros cúbicos por segundo, sem alterações significativas nos últimos dias e dentro da normalidade operacional.

Moradores próximos ao Rio Paranapanema relatam a abertura de cerca de nove comportas da Usina Hidrelétrica de Rosana, operada pela CTG Brasil. A empresa não confirmou a informação nem eventual relação com a cheia atual. A trégua nas chuvas começou no sábado (17), mas deve ser breve. A Climatempo prevê nova instabilidade a partir de quinta-feira (22), com maiores volumes no fim de semana. Em Três Lagoas, no leste do estado, a previsão é de 117,8 milímetros no domingo (25). O prefeito afirma que o município precisa de um período mais longo sem chuva para recuperar os acessos danificados. Enquanto isso, a Defesa Civil conclui o levantamento dos estragos para definir se Batayporã decretará situação de emergência.

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