A Prefeitura de Dourados mantém a interdição de dois estabelecimentos comerciais na Rua Cuiabá, na região central. A medida preventiva visa evitar o desabamento das estruturas, que foram comprometidas por uma cratera aberta no solo. A administração aguarda uma pausa nas fortes chuvas para retomar a intervenção no local.
O problema foi identificado na sexta-feira (9), quando empresários perceberam uma fenda na calçada, próxima ao meio-fio. A abertura revelou um vazio significativo sob o passeio, deixando parte da estrutura suspensa e expondo os baldrames, que são as fundações das construções. A situação gerou preocupação imediata com a estabilidade dos imóveis vizinhos.
Equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e da Defesa Civil foram acionadas no mesmo dia para iniciar medidas emergenciais. Os dois comércios foram evacuados e uma das pistas da Rua Cuiabá foi interditada. A equipe também realizou a colocação de terra na área para tentar conter a entrada de enxurradas no buraco, mas a continuidade das chuvas impediu o avanço dos trabalhos corretivos.
Falha na drenagem
Segundo Angelo Augusto Gomes, secretário-adjunto de Serviços Urbanos, a avaliação preliminar identificou que dois tubos da rede de drenagem de águas pluviais cederam. A próxima etapa será definir a extensão dos danos e os reparos necessários. O buraco visível na calçada tem aproximadamente seis metros de largura e avança até o início dos dois estabelecimentos.
Com as chuvas do fim de semana, uma segunda abertura surgiu nas proximidades, ampliando a preocupação com as condições do terreno. O secretário explicou que o solo sob as construções está encharcado e, por isso, ainda oferece risco aos imóveis. A administração municipal pretende evitar intervenções na estrutura dos comércios, embora a decisão dependa da avaliação dos engenheiros e das condições encontradas durante uma escavação maior no local.
Assim que o tempo permitir, máquinas irão abrir o pavimento de uma das pistas da Rua Cuiabá, em frente aos estabelecimentos. A escavação permitirá verificar o deslocamento das manilhas, as condições da caixa que recebe a água da drenagem e o comprometimento do solo ao redor. Essa análise é fundamental para planejar a reparação segura da via.
Rede antiga e expansão urbana
De acordo com Angelo, a rede existente no trecho é antiga, construída há mais de quatro décadas. Nas proximidades dos comércios, cinco tubulações recebem água de ruas adjacentes e se encontram em uma caixa de contenção. Depois, o fluxo segue para o córrego Rego D’água, situado a aproximadamente dez metros dessa estrutura.
O secretário relatou que entrou pela tubulação que desemboca no córrego e percorreu o trecho para observar o sistema. Durante a inspeção, identificou o encontro das cinco manilhas e a ligação com a caixa de contenção. Na avaliação dele, a drenagem foi construída em um período em que o volume de água recebido era menor e ainda não havia edificações sobre a estrutura.
Com a expansão imobiliária, os terrenos da região foram comercializados e ocupados de forma legal. Contudo, ao menos um dos imóveis atualmente afetados foi construído sobre duas manilhas da rede pluvial, o que aumenta a preocupação da equipe técnica. Desde sexta-feira, a primeira resposta do município se concentrou em ações preventivas, como isolamento da área, retirada das pessoas e contenção da entrada de água.
Agora, os engenheiros estudam a intervenção corretiva, que depende da interrupção das chuvas e da abertura de uma área maior do asfalto para uma avaliação mais detalhada. A expectativa é de que os trabalhos sejam retomados assim que as condições climáticas permitirem a operação segura das máquinas no local.







