Na manhã de quinta‑feira (15), a capital de Mato Grosso do Sul registrou chuvas recordes que provocaram alagamentos em vários bairros. O coordenador da Defesa Civil de Campo Grande, Enéas Netto, divulgou, em vídeo na sexta‑feira (16), orientações para que a população não arrisque a vida ao enfrentar as enxurradas.
Durante o temporal, equipes da Defesa Civil observaram moradores tentando atravessar áreas alagadas e estacionando veículos sob árvores, atitudes que colocaram em risco a integridade física das pessoas. Em resposta, Enéas Netto reforçou a necessidade de respeitar os alertas de chuva forte e de seguir as recomendações do órgão.
Alerta de chuva
Quando a Defesa Civil emite alerta de chuva forte ou ventania, a orientação oficial inclui quatro pontos: respeitar os alertas e seguir as orientações do órgão; não deixar veículos estacionados embaixo de árvores; evitar sair de casa, se possível; e, caso seja imprescindível sair, não tentar atravessar pontos de alagamento. “Nós vamos ter tempos difíceis agora, mudanças climáticas abruptas”, alertou o coordenador.
O coordenador também fez um apelo para que a população comunique ocorrências pelo telefone 199, central de emergência da Defesa Civil. As chamadas são encaminhadas à secretaria responsável para resposta imediata. A prefeitura indica ainda os números 156 (central da prefeitura) e 193 (Corpo de Bombeiros) como alternativas.
Até o momento da gravação do vídeo, a Defesa Civil havia recebido mais de 50 chamados e atendido mais de 26 ocorrências. Enéas Netto informou que todas as equipes permanecem nas ruas, em conjunto com outras secretarias, para a recuperação da cidade.
Situação em Jaraguari
Na cidade vizinha de Jaraguari, a enxurrada da madrugada de quinta‑feira atingiu o Córrego Estaca, principal acesso ao Nasa Park I na BR‑163. Dezenas de famílias ficaram isoladas, pois a passagem improvisada de terra e cascalho, utilizada desde o rompimento da barragem perto do Nasa Park em 20 de agosto de 2024, ficou comprometida.
A Prefeitura de Jaraguari enviou equipes de Obras e Infraestrutura e da Defesa Civil para avaliar os danos. A promessa é levar máquinas ao local quando as condições climáticas e de segurança permitirem, embora ainda não haja prazo definido para o conserto. Moradores podem solicitar ajuda pelo telefone 0800 888 1359.
Em Campo Grande, as equipes continuam atendendo as ocorrências ainda em aberto. Os cidadãos podem registrar solicitações pelos números 199, 156 e 193.
Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, da Uniderp, a capital registrou 143,1 mm de precipitação entre 6 h e 20 h da quinta‑feira, o maior volume já registrado em um único dia de outubro. Esse valor se aproxima da média histórica de todo o mês, que é de 165,2 mm (período de 1980 a 2010). Os maiores acumulados foram nas regiões do Carandá Bosque e do Shopping Campo Grande. A região da Embrapa registrou 83,2 mm, Anhanduí 81,8 mm e o Centro 73,2 mm. Na avenida Ernesto Geisel, no cruzamento com a Rachid Neder, o Córrego Segredo transbordou.
O Observatório de Meteorologia da UFMS registrou 98 mm na mesma data e um acumulado de 325 mm em outubro. Os levantamentos da Uniderp e da UFMS utilizam estações e períodos de medição diferentes, o que explica pequenas variações. A prefeitura, com base em dados do Cemtec‑MS, informou que em 24 horas choveu quase todo o volume registrado em outubro do ano passado.
Thiago Rodrigues, do observatório da UFMS, atribuiu a instabilidade a um sistema meteorológico que persiste entre Mato Grosso do Sul e Paraná, reforçado pela umidade proveniente da Amazônia. O estado também está sob forte influência do El Niño, classificado como muito forte.
As autoridades reforçam que o respeito aos alertas e a comunicação rápida de incidentes são essenciais para reduzir riscos e agilizar o atendimento. Enquanto as equipes permanecem nas ruas, a população deve permanecer atenta às recomendações e evitar ações que possam colocar vidas em perigo.







