A relação entre expectativa e resultado em procedimentos médicos e odontológicos pode gerar conflitos jurídicos quando não há alinhamento prévio. Luiz Paulo De Castro Areco, advogado e sócio do escritório Areco Advogados Associados, alerta que redes sociais e relatos na internet criam imagens irreais do que é possível alcançar em cada caso.
Quando a frustração com o resultado não se confirma, ela pode rapidamente se transformar em disputa. No entanto, um desfecho diferente do imaginado não indica necessariamente erro profissional. Medicina e odontologia envolvem riscos, limitações e respostas individuais, mesmo em procedimentos técnicos adequados.
Diálogo prévio é essencial
A conversa antes do tratamento assume papel fundamental. O profissional deve explicar de maneira clara as possibilidades, limitações, riscos e eventuais intercorrências, especialmente em tratamentos eletivos e estéticos. O paciente precisa compreender que cada organismo responde de forma única e que determinados resultados não podem ser assegurados.
Também merece cuidado a forma como o resultado é apresentado. Dizer que algo ficará “perfeito” ou “exatamente como na fotografia” pode transformar uma expectativa em uma promessa difícil de sustentar. Apresentar apenas casos de sucesso, sem esclarecer particularidades, contribui para percepções equivocadas sobre o que realmente pode ser alcançado.
Registro no prontuário
O prontuário acompanha essa relação e pode ser importante quando surge uma divergência. Registrar orientações relevantes, riscos apresentados, alternativas discutidas e características do tratamento permite demonstrar, posteriormente, aquilo que efetivamente foi esclarecido ao paciente. Não se trata de preparar o atendimento para um eventual processo, mas de registrar adequadamente o que foi realizado e discutido.
Se surgir uma reclamação, será necessário compreender o que foi proposto, qual resultado era possível, quais informações foram prestadas, se houve intercorrência e como o procedimento foi conduzido. A medicina e a odontologia trabalham com seres humanos, não com resultados matematicamente previsíveis.
A segurança dessa relação é construída muito antes de uma eventual discussão judicial, a partir de uma conversa clara e honesta entre médico ou dentista e paciente sobre aquilo que pode e aquilo que não pode ser esperado do tratamento. Quanto mais realista for esse diálogo, menores serão as chances de que uma expectativa frustrada se transforme em uma disputa que poderia ter sido evitada.








