Pacientes com câncer atendidos no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), em Campo Grande, podem ter tido sessões de quimioterapia atrasadas por falta de medicamentos oncológicos. A situação foi divulgada nesta sexta‑feira, 9 de outubro, e levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a abrir um inquérito civil para investigar o abastecimento e suspensões de tratamento.
A vistoria técnica realizada pelos promotores constatou estoques zerados de alguns fármacos essenciais e quantidade reduzida de outros. Embora processos de compra e reposição estejam em andamento, a ausência de medicamentos no momento da inspeção indica falhas no fluxo de aquisição e distribuição dentro do hospital.
Investigação em curso
O MPMS recebeu denúncias de que a escassez poderia ter provocado adiamentos ou interrupções nas sessões de quimioterapia. Em resposta, o órgão solicitou ao HRMS informações detalhadas sobre a disponibilidade atual dos medicamentos, o andamento das licitações, os impactos no atendimento e as ações previstas para evitar nova falta.
O hospital informou que adotou providências para regularizar o abastecimento, mas o Ministério Público ainda avalia se as medidas são suficientes para garantir o fornecimento contínuo. A 32ª Promotoria de Justiça, com apoio do Núcleo de Apoio Especial à Saúde, conduzirá a apuração, que deverá esclarecer interrupções efetivas e pacientes impactados.
A investigação também examinará eventuais falhas nos processos de compra e a responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde (SES) na coordenação dos recursos. O MPMS requisitou documentos que comprovem a regularidade das contratações e o cumprimento dos prazos.
Reação das autoridades
Uma reunião de trabalho foi agendada entre representantes do HRMS e da SES para discutir soluções imediatas e acompanhar a evolução do caso. O objetivo é definir um plano de ação que assegure a reposição rápida dos fármacos e evite novas interrupções.
A Secretaria de Saúde ainda não respondeu aos pedidos de entrevista da reportagem. O MPMS continuará monitorando a situação e poderá recomendar sanções caso constate irregularidades graves na gestão dos recursos de saúde.
O desfecho do inquérito indicará se as medidas adotadas são adequadas e quais providências adicionais serão necessárias para garantir a continuidade dos protocolos de quimioterapia aos pacientes do SUS.








