A terceira edição do Festival Curta Campo Grande acontece de 26 a 31 de outubro de 2026, na capital sul-mato-grossense, e tem como principal objetivo ampliar a representatividade de gênero e de grupos sociais no audiovisual brasileiro e internacional. O evento, que reúne curtas‑metragem de diversas partes do país e do mundo, oferece entrada gratuita ao público, com senhas distribuídas uma hora antes de cada sessão ou atividade.
A curadoria estabeleceu uma política de paridade numérica ao selecionar exatamente 30 curtas dirigidos por mulheres e 30 dirigidos por homens. Essa escolha garante que, na programação oficial, a presença feminina seja tão forte quanto a masculina, reforçando o compromisso do festival com a equidade de gênero no cenário cinematográfico.
“É uma preocupação nossa de ter isso”, afirmou o diretor Dannon Lacerda, ao explicar a divisão igualitária entre os filmes de mulheres e de homens. Para Lacerda, a medida responde a décadas de subrepresentação feminina nas mostras de cinema e busca criar um ambiente onde criadoras tenham a mesma visibilidade que seus colegas masculinos.
A preocupação com a representatividade também orienta a escolha das temáticas. O festival inclui obras que tratam de questões LGBTQIA+, narrativas indígenas e histórias negras, com o objetivo de reunir um espelho das diferentes realidades sociais e culturais do Brasil e de outras nações. “Além da temática LGBT, temática indígena, temática negra, para que a gente tenha de fato um espelho do que é o Brasil e o mundo”, reforçou Lacerda.
Equidade de gênero
Para Lacerda, a diversidade não deve se limitar ao conteúdo das obras, mas também à composição da própria programação. Ao abrir espaço para diferentes perspectivas, o festival pretende romper com um recorte único da sociedade e permitir que vozes variadas – de diferentes origens, identidades e experiências – sejam ouvidas e apreciadas pelo público presente.
Dos 1.257 curtas‑metragem submetidos ao certame, 40 são produções internacionais e outros 40 foram realizados em Mato Grosso do Sul. Os demais curtas provêm de diversos estados brasileiros, ampliando a abrangência geográfica da mostra. Essa distribuição evidencia o alcance nacional do festival, ao mesmo tempo em que destaca a produção regional.
A abertura para filmes estrangeiros surgiu a partir da demanda de realizadores de fora, que manifestaram interesse em participar já nas edições anteriores, quando o regulamento ainda não contemplava inscrições internacionais. “A expansão para acolhimento de filmes internacionais nasceu primeiro da demanda dos próprios realizadores de fora”, explicou Lacerda, ressaltando que a iniciativa responde a um interesse genuíno de troca cultural.
A localização de Mato Grosso do Sul, estado que faz fronteira com Paraguai e Bolívia e tem divisas com cinco estados brasileiros, favorece o contato com múltiplas referências culturais. Segundo Lacerda, esse contexto geográfico torna o intercâmbio entre produções especialmente relevante, permitindo que questões em voga em outros países sejam comparadas com as discussões que ocorrem no Brasil.
Diálogo internacional
Durante a semana de festival, o público poderá assistir às sessões gratuitamente; as senhas são distribuídas uma hora antes de cada exibição. Ao reunir 30 curtas de mulheres, 30 de homens, 40 produções internacionais e 40 obras sul‑mato‑grossenses, o Curta Campo Grande cria um espaço de diálogo entre culturas, ampliando o alcance das narrativas sociais, culturais e políticas. O evento reforça, assim, a importância da inclusão e da diversidade como pilares do cinema contemporâneo, sinalizando que as próximas edições continuarão a priorizar a equidade de gênero e a pluralidade de vozes.







