A equipe interventora da Prefeitura de Campo Grande defendeu nesta terça‑feira a contratação de uma auditoria financeira no valor de R$ 830 mil para analisar a situação do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo da capital, enquanto o consórcio contestou quem deve arcar com o custo.
A auditoria foi encomendada à firma internacional Alvarez & Marsal e tem como objetivo examinar receitas, despesas, dívidas, pagamentos, fluxo de caixa e demais compromissos financeiros das empresas que compõem o consórcio. O estudo deve subsidiar decisões sobre a continuidade do serviço de ônibus.
Segundo a nota oficial da equipe interventora, o pagamento deve ser feito pelas próprias empresas, com recursos próprios, e não com recursos do orçamento municipal. A justificativa apresentada é que o trabalho está diretamente ligado à situação financeira das concessionárias e à manutenção da operação.
Custo da auditoria
O valor de R$ 830 mil representa, segundo o próprio consórcio, cerca de 20 % da folha de pagamento mensal ou 15 % dos gastos com combustível. As empresas alegam que esse montante tem peso significativo nas contas do sistema e que sua destinação a uma auditoria poderia comprometer despesas essenciais à operação dos ônibus.
A equipe interventora sustenta que a contratação está amparada pela Lei Municipal 4.584/2007, que autoriza medidas necessárias para conhecer a realidade financeira do sistema durante a intervenção. O município afirma que não utilizará recursos do orçamento municipal para pagar o serviço, mantendo a responsabilidade financeira nas mãos das concessionárias.
Posição do consórcio
O Consórcio Guaicurus, por meio de manifestação apresentada à Comissão Processante, argumenta que a auditoria foi requerida pela intervenção e, portanto, o custo deveria ser custeado pelo poder público. O consórcio cita a própria legislação que regula a intervenção, que estabelece regras para a utilização de recursos enquanto o município assume o controle da operação. Além disso, o consórcio pediu acesso ao contrato, ao escopo do serviço, às propostas analisadas e aos estudos que embasaram a contratação.
A intervenção no Consórcio Guaicurus teve início em 16 de junho e tem prazo de até 180 dias. Durante esse período, uma equipe indicada pelo município passou a administrar o sistema, levantar informações e avaliar a viabilidade financeira das empresas. A disputa sobre quem deve pagar a auditoria tornou‑se um dos principais pontos de discussão dentro do processo de intervenção, podendo influenciar a alocação de recursos nos próximos meses.
Até o momento, a Prefeitura não indicou mudança na forma de pagamento e mantém a posição de que os recursos das empresas devem ser preservados para despesas diretamente ligadas à manutenção do transporte coletivo. O consórcio, por sua vez, aguarda resposta da comissão sobre o pedido de documentos e sobre a possibilidade de repassar o custo ao município. O desfecho da controvérsia deverá ser decidido antes do término dos 180 dias de intervenção, quando será avaliada a continuidade ou a retomada da gestão municipal.








