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Professores precisam de valorização e formação continuada, alerta Jacir J. Venturi

Jacir J. Venturi, professor e gestor escolar com 52 anos de experiência, publicou na RCN67 um texto que reforça a urgência de resgatar o prestígio da carreira do magistério no Brasil. O autor, que atuou na UFPR, PUCPR, Universidade Positivo, em cursos pré‑vestibulares e em escolas públicas e privadas, inclusive no Colégio Estadual do Paraná, alerta para a desvalorização que impede que estudantes talentosos escolham a missão de formar novas gerações.

A desvalorização de professores e professoras, segundo Venturi, constitui o principal obstáculo para atrair os melhores talentos ao magistério. Sem reconhecimento adequado, a profissão perde seu apelo e, consequentemente, a qualidade do ensino sofre.

Para que o reconhecimento seja efetivo, o autor defende que a meritocracia seja um dos fundamentos da carreira docente, aliada a uma postura exemplar e ao profissionalismo. Ele destaca um axioma básico: “uma aula a ser dada merece ser bem dada e, para tanto, deve ser bem‑preparada”. Uma aula bem preparada gera momentos de enlevo e felicidade genuína, beneficiando tanto professores quanto alunos.

Venturi traz à tona o mote de Singapura – “Tratamos os professores como joias. Ser professor não é emprego, é uma profissão responsável por moldar as futuras gerações” – como exemplo de país que obtém excelentes resultados nas avaliações educacionais internacionais ao conferir prestígio à profissão.

Desafios atuais

Até a década de 1960, o Brasil tinha uma população majoritariamente analfabeta e pobre. Hoje, embora o país ainda enfrente desafios, a carreira do magistério oferece qualificação profissional intensa. Os professores dedicam 100 horas ou mais por ano à capacitação, com ênfase no desenvolvimento de novas metodologias, tecnologias de ensino e habilidades.

Venturi afirma que nenhum outro cargo é tão grandioso quanto o de educador, que não tem o direito de ser mediano. Ele descreve a sala de aula como “os metros quadrados mais nobres de qualquer organização educacional – talvez de todo um país”, e defende que esse espaço deve ser ocupado pelos melhores talentos.

Apesar da necessidade de reconhecimento institucional, o autor ressalta que a postura e o profissionalismo do docente são igualmente relevantes. Cabe ao professor manter‑se atualizado quanto aos avanços de sua área, preparar aulas que motivem os estudantes e exigir um nível de conteúdo que promova valores, autonomia e autodidatismo.

Formação continuada

A didática é primordial, pois as mudanças no ambiente da sala de aula são intensas e constantes. O magistério figura entre as profissões que mais se desatualizam, o que torna a formação continuada indispensável. Venturi aponta que muitos docentes do passado, acostumados a aulas expositivas bem‑preparadas, têm perdido espaço ao não conseguir êxito em plataformas digitais ou diante dos desafios trazidos pela inteligência artificial.

Ele usa a metáfora de um ônibus de ida sem retorno: “A maioria embarca e, no caminho, capacita‑se, adapta‑se, é darwinista e segue em frente, mas alguns desembarcam ou são desembarcados”. Essa imagem ilustra a necessidade de adaptação constante dos professores.

No século 21, o professor tende a ser mais do que expositor de conteúdos; ele se torna mediador, mentor e motivador. Com o avanço das tecnologias educacionais, da informação ao alcance das mãos e das facilidades da IA, a escola deve equilibrar competências cognitivas e habilidades socioemocionais.

Segundo pesquisas recentes citadas por Venturi, a maioria dos docentes sente‑se despreparada para mediar tecnologias, mas demonstra vontade de receber capacitação nas próprias instituições de ensino. O autor enfatiza que a formação é um dever compartilhado: cabe à escola oferecê‑la e ao professor buscá‑la com estudo e afinco.

Encerrando, Venturi relembra a frase de D. Pedro II: “Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”. O autor, membro do Conselho Estadual de Educação do Paraná, reforça que quem dirige bem as inteligências jovens jamais deixa de cultivar a própria.

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