Na manhã desta quinta‑feira, em Três Lagoas, o senador eleito por Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PL), declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e afirmou que sua atuação no Senado será pautada pelo municipalismo, ou seja, pelo diálogo direto com prefeitos, vereadores e lideranças locais.
Ao lado do prefeito Cassiano Maia (PP), Azambuja concedeu entrevista ao grupo RCN de Comunicação antes de participar de uma carreata em prol da candidatura de Flávio Bolsonaro. O evento foi marcado por adesivagens, caminhadas e outras mobilizações que, segundo o senador, fazem parte da estratégia para ampliar a votação do candidato no segundo turno.
No primeiro turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro recebeu 36.690 votos em Três Lagoas, o que corresponde a 58,63 % dos votos válidos no município. Em todo o estado, o candidato somou 873.351 votos. Azambuja, por sua vez, obteve 35.335 votos na cidade e 903.954 votos em todo o Mato Grosso do Sul, números que ele considerou motivo de agradecimento e de reforço da responsabilidade com Três Lagoas e a região.
“Eu fui governador municipalista e quero ser o senador dos municípios”, afirmou Azambuja, ressaltando que pretende atuar com base no diálogo constante com os gestores locais. O senador eleito destacou que a mobilização em Três Lagoas faz parte de um plano maior para garantir que Flávio Bolsonaro alcance a maioria no segundo turno.
Estratégia eleitoral
Durante a entrevista, Azambuja descreveu o cenário econômico nacional como marcado por insatisfação com o custo de vida, endividamento das famílias, retração no comércio e dificuldades na indústria. Ele citou ainda relatos de empresas brasileiras que teriam fechado as portas no país e se instalado no Paraguai, inclusive em Três Lagoas.
“Se o Brasil não está bem, eu entendo que é momento de mudar, e a mudança hoje é o Flávio”, declarou o senador, reforçando a ideia de que a candidatura do filho do ex‑presidente Jair Bolsonaro seria a alternativa para reverter a crise.
Azambuja também afirmou que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, o candidato manterá o Bolsa Família, os direitos dos aposentados e os concursos públicos. Segundo o senador, a campanha adversária estaria espalhando informações falsas sobre esses temas.
Além disso, o senador eleito defendeu o crescimento real do salário mínimo, o reajuste anual dos benefícios sociais e uma política de apoio para que beneficiários possam buscar qualificação, emprego formal ou abrir o próprio negócio.
Prioridades para MS
Ao falar sobre as prioridades para Mato Grosso do Sul, Azambuja apontou a necessidade de revisão da reforma tributária aprovada pelo governo federal, argumentando que o estado seria prejudicado por um modelo de tributação que penaliza a produção local em razão do consumo menor em comparação com unidades mais populosas.
Em termos de infraestrutura, o senador destacou projetos como a hidrovia do Rio Paraguai, a hidrovia Tietê‑Paraná, a duplicação de rodovias federais, a retomada da licitação da ferrovia e a conexão ferroviária entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado. Para Azambuja, a ferrovia é essencial para reduzir custos logísticos e tornar a produção estadual mais competitiva, já que o agronegócio ainda depende fortemente do transporte rodoviário.
Ele também mencionou a Rota Bioceânica e afirmou que a ponte em Porto Murtinho está concluída, mas ainda sem acesso pelo lado brasileiro, o que, segundo o senador, evidencia falta de planejamento e de prioridade do governo federal.
No campo do agronegócio, Azambuja alertou para o alto endividamento do setor, que, segundo ele, conta com 6 mil recuperações judiciais e um débito de R$ 13 bilhões no estado. Propôs a securitização das dívidas, alongamento de prazos, juros compatíveis com a atividade rural, seguro agrícola e mudanças no manual de crédito rural.
Ele ainda citou que o agronegócio e a agroindustrialização empregam 29 milhões de pessoas e representam 33 % do PIB brasileiro, dados que ele apresentou como base para suas propostas de apoio ao setor.
Sobre a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN 3), localizada em Três Lagoas, Azambuja defendeu a continuidade da obra, classificando-a como estratégica para o Brasil, que importa 95 % de fertilizantes nitrogenados. Rejeitou a possibilidade de paralisação caso Flávio Bolsonaro vença a eleição, rotulando a ameaça como “terrorismo barato” dos adversários.
Na área da saúde, o senador eleito pediu reajuste da tabela do SUS, argumentando que a defasagem compromete hospitais públicos, filantrópicos e santas casas. Citou o Hospital Auxiliadora e o Hospital Regional de Três Lagoas como estruturas importantes para o atendimento local.
Quando questionado sobre a possibilidade de assumir o Ministério da Agricultura em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, Azambuja negou ter recebido convite, classificando a informação como especulação de um site de Brasília. Declarou que, antes de discutir cargos, o candidato precisa vencer a eleição, mas que estaria disposto a ajudar na equipe de transição e analisaria eventual convite caso fossem garantidas medidas como securitização das dívidas do agro, redução de juros, seguro agrícola e melhoria logística.
“Eu fui eleito para ser senador. Agora, se for convidado, vamos analisar”, disse Azambuja.
O prefeito Cassiano Maia, que acompanhou o senador durante a entrevista, defendeu a eleição de Azambuja para o Senado e afirmou que Três Lagoas pode ganhar com uma bancada federal fortalecida e alinhada ao governo estadual. O prefeito ressaltou a necessidade de diálogo com senadores, deputados federais e estaduais para ampliar investimentos.
Maia também manifestou apoio a Flávio Bolsonaro e compartilhou a defesa de uma máquina pública mais enxuta, linha que ele adotou na gestão municipal e pretende buscar apoio para obras, pavimentação, manutenção do pleno emprego e desenvolvimento econômico.
Sobre a relação política entre Cassiano Maia e o ex‑prefeito Ângelo Guerreiro, eleito deputado estadual, o prefeito reconheceu divergências dentro do mesmo grupo político, mas enfatizou que “ninguém ganha com isso” e que Três Lagoas perde quando o grupo se enfraquece.
Azambuja, ao comentar o tema, garantiu que não haverá retaliação a Três Lagoas e afirmou acreditar que Ângelo Guerreiro ajudará o município na Assembleia Legislativa, defendendo que as divergências podem ser reduzidas com diálogo.
“Ninguém vai retaliar Três Lagoas. Isso não existe”, declarou o senador.
Encerrando a entrevista, Azambuja informou que seguirá em agenda por Nova Andradina, Dourados e Ponta Porã para defender Flávio Bolsonaro no segundo turno. O prefeito Cassiano Maia pediu reflexão aos eleitores até domingo e reforçou o apoio ao candidato do PL.







