Na sessão desta semana da Câmara Municipal de Três Lagoas, os vereadores cobraram a duplicação da rodovia BR‑262 antes de autorizar a cobrança de pedágio, alegando que a via ainda carece de obras de ampliação e de melhorias de segurança. A decisão foi tomada na quinta‑feira, 7 de novembro, durante a sessão ordinária da Câmara.
A concessionária Caminhos da Celulose instalou quatro pórticos de pedágio eletrônico no sistema Free Flow, que permite a passagem dos veículos sem parada. As estruturas metálicas já estão em fase de montagem, porém a cobrança ainda não foi iniciada. A tarifa prevista é de R$ 57,60 por sentido para quem não utiliza tag, e R$ 54,72 para quem paga automaticamente, o que eleva o custo de ida e volta a R$ 115,20.
O vereador Adriano Cezar Rodrigues, conhecido como Sargento Rodrigues, classificou a cobrança como um absurdo, afirmando que é inadmissível cobrar tarifas em uma estrada que ainda apresenta problemas de infraestrutura, falta de duplicação e riscos para os motoristas que a utilizam.
O vereador Fernando Jurado também levou o tema à tribuna, lembrando que acompanha as discussões sobre os investimentos na BR‑262 desde março de 2025. Segundo ele, a expectativa inicial era que Três Lagoas fosse incluída em obras mais amplas, mas a concessão informou que o município ficaria fora do projeto de duplicação, recebendo apenas intervenções para implantação de faixas adicionais.
Cobrança de pedágio
Apesar das estruturas já instaladas, a cobrança ainda não começou, o que gera ansiedade entre os usuários que já se preparam para pagar o valor integral. O custo de R$ 57,60 por sentido representa quase 30% do gasto médio de um caminhoneiro que percorre o trecho entre Três Lagoas e Campo Grande, segundo levantamento informal da categoria.
Jurado destacou que, ao percorrer recentemente o trecho entre Campo Grande e Três Lagoas, encontrou dificuldades para trafegar, sobretudo em períodos de chuva. Ele relatou a formação de comboios de caminhões, a falta de oportunidades seguras de ultrapassagem e o risco de acidentes graves, apontando que a rodovia tem histórico de mortes que se agrava pela ausência de pista dupla. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, o número de acidentes graves no trecho aumentou 22% no último ano.
Exigência de duplicação
Para os vereadores, a duplicação da BR‑262 é essencial porque Três Lagoas abriga duas grandes indústrias de celulose, cujas cargas representam parcela significativa do fluxo de veículos na rodovia. Jurado citou ainda a fábrica da Arauco, em Inocência, como exemplo de operação que depende de um corredor seguro e com capacidade de movimentação ampliada.
A Câmara Municipal formalizou a reivindicação ao assinar um documento com a assinatura dos 15 vereadores de Três Lagoas. O pedido, que será encaminhado à concessionária Caminhos da Celulose, solicita explicações sobre os critérios técnicos adotados para definir as intervenções e reforça a necessidade de iniciar imediatamente a duplicação do trecho mais crítico.
Até o fechamento desta edição, a concessionária não havia respondido aos questionamentos da reportagem. Os vereadores indicaram que, caso não haja resposta em até 15 dias, avaliarão medidas legais para garantir que o investimento em duplicação seja realizado antes da cobrança efetiva do pedágio, medida que, segundo eles, protegerá motoristas e a economia regional.








