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Operação Antidotum investiga desvios de R$ 4,9 milhões na Santa Casa

Investigação aponta pagamentos sem serviços e contratos com empresas ligadas à diretoria - Foto: Arquivo RCN67

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou a Operação Antidotum nesta sexta-feira (11). A ação mira fraudes e desvios de recursos em contratos da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. As investigações apontam um total de R$ 4,9 milhões em irregularidades.

A operação resultou no cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão. As diligências ocorreram em Campo Grande, Dourados e Goiânia, no estado de Goiás. O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) conduziu as ações com apoio do Gaeco.

Fraudes em digitalização

Os investigadores identificaram pagamentos elevados por serviços de digitalização de prontuários. Segundo o MPMS, esses serviços não teriam sido prestados integralmente. O contrato previa o repasse de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões.

Somente no primeiro ano do contrato, o órgão aponta um desvio de R$ 1,4 milhão. A investigação também mapeou irregularidades em contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde. Essa empresa é controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.

Os pagamentos foram direcionados a empresas do mesmo grupo econômico. O proprietário dessas firmas tinha ligações com a diretoria da Santa Casa. Os estabelecimentos estavam registrados no mesmo endereço, mas o imóvel encontrava-se desocupado.

Em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas. A investigação aponta um prejuízo de, no mínimo, R$ 3,5 milhões à entidade. Os contratos e prestações de contas teriam sido ocultados dos órgãos de controle, como o Conselho Fiscal e a Controladoria-Geral do Estado.

Crise hospitalar

A apuração ocorre enquanto a Santa Casa enfrenta uma grave crise financeira. O hospital suspendeu cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais em 29 de julho. A direção informou não ter condições de receber novos pacientes para cirurgias cardíacas, sejam adultas ou pediátricas.

Há também atraso de quatro meses nos pagamentos das equipes médicas contratadas como pessoa jurídica e autônomas. Em meio ao desabastecimento, a Prefeitura de Campo Grande anunciou um aporte emergencial de R$ 4 milhões para a compra de insumos. O prejuízo total causado à Santa Casa ainda está em apuração.

A Operação Antidotum contou com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. A Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS também participou do processo. O nome da operação vem do latim antidotum, que significa antídoto ou contramedida contra uma substância nociva.

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