O mercado de financiamento de veículos no Brasil encerrou setembro com o melhor desempenho para o mês em 15 anos. Foram negociadas 670.675 unidades via crédito, um avanço de 2,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Esse resultado superou o recorde anterior, registrado em 2011, quando o total de contratos fechados foi de 665.801. Os dados foram divulgados pela Trillia, unidade de negócios da B3, que monitora as movimentações do setor.
O avanço ocorre em um cenário desafiador para o crédito ao consumidor, marcado por taxas de juros elevadas e volatilidade macroeconômica. Mesmo assim, a demanda manteve o ritmo forte dos últimos meses.
Expansão no acumulado
No acumulado dos primeiros nove meses de 2026, as concessões atingiram 5,8 milhões de unidades. Isso consolida uma expansão anual de 9,1% no período. Em setembro, a média diária de negociações chegou a 31.937 veículos por dia útil.
Em termos de crescimento percentual, o movimento de alta foi puxado principalmente pelos veículos novos, que avançaram 9,8% no mês, somando 271 mil unidades financiadas. Em contrapartida, os modelos usados registraram uma leve retração de 1,5% em igual base de comparação, totalizando 400 mil operações.
No recorte por segmento, os automóveis e comerciais leves concentraram 468 mil contratos concedidos em setembro, com alta de 4,5% no comparativo de 12 meses. O mercado de motos somou 176 mil financiamentos, com recuo de 1,5% na mesma base. Já o transporte de pesados registrou 26 mil unidades, alta de 2,1%.
Efeito dos preços
A continuidade da procura por financiamento de veículos também foi favorecida pelo alívio no valor dos automóveis. Conforme a Tabela AUTO B3, desenvolvida em parceria com a consultoria Bright Consulting, os preços reais praticados no mercado voltaram a cair.
O tíquete médio de transação dos carros zero-quilômetro recuou 0,8% em setembro, revertendo a alta apurada no mês anterior. Com essa correção, os veículos novos acumulam deflação média de 2,4% nos últimos 12 meses.
Entre os seminovos e usados, a redução média de preços foi de 1,7% no mês, aprofundando o ajuste nos pátios das lojas. No acumulado anual, os automóveis usados registram desvalorização média de 5,9%, o que diminui a base de cálculo dos financiamentos e reduz o valor da parcela mensal para o consumidor final.








