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Pedágio da Rota da Celulose: ida e volta a Três Lagoas custará R$ 115,20

Pórtico da BR-262 na Rota da Celulose, entre Campo Grande e Três Lagoas. Foto: Saul Schramm

Motoristas que percorrem os 311 km entre Campo Grande e Três Lagoas pela BR-262 pagarão R$ 115,20 na ida e volta quando o pedágio da Rota da Celulose entrar em vigor. O valor corresponde a R$ 57,60 em cada sentido. A cobrança está prevista para começar a partir de fevereiro de 2027, mas parte da infraestrutura obrigatória contratada ainda não opera.

Faltam 108 dias para o encerramento do primeiro ano de contrato. Até o momento, as cinco rodovias concedidas não contam com socorro mecânico, ambulâncias ou rede de celular, itens exigidos pelo edital. A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (Agems) é o órgão responsável por atestar o cumprimento dessas obrigações antes de autorizar a cobrança.

Infraestrutura pendente

As 13 bases de atendimento ao usuário estão em construção. A concessionária Caminhos da Celulose havia previsto o início do socorro mecânico, das ambulâncias, da remoção de veículos e da inspeção de tráfego para outubro. A previsão atual é de novembro, com a conclusão das bases no início de 2027.

A rede de celular 4G também não funciona ao longo das rodovias. Segundo a empresa, 69 das 82 torres estão concluídas e aguardam ativação. Em agosto, o diretor-presidente da Caminhos da Celulose, Luiz Fernando De Donno, afirmou em entrevista à Massa FM que a cobertura completa deve ficar pronta em março de 2027. Essa data é posterior ao início previsto da cobrança. A rede é essencial para o atendimento de emergência e para os sistemas de monitoramento e pedágio eletrônico.

Os pórticos de cobrança também precisam estar instalados até o fim do primeiro ano de contrato. No balanço divulgado na terça-feira (20), a concessionária não informou quantos já foram montados. O contrato, assinado em 6 de fevereiro de 2026, tem prazo de 30 anos e prevê R$ 10,1 bilhões em investimentos e custos de operação.

A partir da assinatura, a concessionária tem 12 meses para realizar os trabalhos iniciais de conservação, sinalização e segurança viária. O cronograma do edital exige a instalação dos pórticos e 80% das edificações operacionais nesse período. A cobrança só pode iniciar após a confirmação da Agems sobre o cumprimento dessas exigências. No início da operação, De Donno condicionou o pedido de cobrança ao cumprimento das obrigações contratuais.

Recuperação do asfalto

No balanço de terça-feira, a concessionária informou que mantém seis frentes de recuperação do pavimento nas cinco rodovias. Os serviços incluem fresagem, recomposição do asfalto, micropavimento e tapa-buracos. A empresa afirma que a etapa emergencial dos primeiros 100 dias recuperou 705 km de pavimento, superando a meta inicial de cerca de 150 km.

As obras de recuperação começaram em 31 de julho. Antes disso, motoristas relataram problemas com buracos na MS-040 e na BR-267. Em 5 de agosto, deputados estaduais cobraram na Assembleia Legislativa a falta de manutenção básica, como roçada e tapa-buracos, em trechos da concessão.

Para caminhões, a tarifa varia conforme o número de eixos. Um caminhão de seis eixos paga seis vezes o valor do carro. Entre Campo Grande e Três Lagoas, o custo por viagem é de R$ 345,60. A tarifa efetivamente cobrada será a homologada pela Agems antes do início da cobrança.

A cobrança utilizará o sistema free flow. Os pórticos identificarão o veículo pela tag de pedágio ou pela leitura da placa, sem necessidade de parada. Quem usar tag terá desconto de 5%, reduzindo a viagem entre Campo Grande e Três Lagoas para R$ 54,72. O contrato prevê descontos progressivos de até 20% para veículos leves com tag que utilizam a rodovia com frequência. Motocicletas são isentas.

Para quem não possui tag, o pagamento será feito pelo site ou aplicativo da concessionária, com prazo de 30 dias após a passagem. O não pagamento é considerado evasão de pedágio, infração grave prevista no Código de Trânsito Brasileiro. O edital estabelece tarifas diferentes para pista simples e pista dupla. A duplicação da BR-262 entre Ribas do Rio Pardo e Campo Grande está prevista entre o segundo e o sexto ano de contrato.

Quando a obra estiver concluída, a tarifa de referência do pórtico do km 292 passará de R$ 14,90 para R$ 21,20, alta de 42,3%. A do km 207 vai de R$ 18 para R$ 19,70, aumento de 9,4%. Esses são os valores do edital, antes do desconto do leilão. A concessionária prevê iniciar os serviços de atendimento em novembro. Até o fim do 12º mês de contrato, em fevereiro, os pórticos precisam estar instalados.

Depois disso, a empresa solicitará à Agems a autorização para iniciar a cobrança. A agência articula com o Detran-MS, a Agesul e a concessionária a integração de sistemas necessária para o funcionamento do free flow. As duplicações e terceiras faixas começam a partir do segundo ano de contrato, quando a cobrança já estará em vigor.

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