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Flávor Bolsonaro condiciona abertura de sigilos à divulgação de contas do Instituto Lula e do Planalto

Candidato do PL rebate desafio do adversário petista e exige acesso a gastos de cartão corporativo e dados de ex-assessor - Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, respondeu nesta quarta‑feira, em Guarulhos (SP), à provocação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a quebra de sigilos bancário e telefônico. O senador afirmou que está disposto a tornar públicos seus dados financeiros e de comunicação, mas condiciona a medida à divulgação, pelo mesmo órgão eleitoral, de documentos referentes ao Instituto Lula, ao cartão corporativo da Presidência e ao ex‑chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro.

O pedido surge logo depois do primeiro debate do segundo turno, transmitido pela TV Bandeirantes, quando Lula lançou o desafio a Flávio, iniciativa que ganhou ampla repercussão nas redes sociais de militantes de esquerda. Na sequência, a assessoria jurídica do senador formalizou a contraproposta junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reiterando a exigência de acesso aos registros citados.

No palanque, Flávio elevou o tom contra o adversário, declarando: “Tudo seu é por fora, Lula. Minha vida é um livro aberto. Eu não só vou aceitar o desafio como eu vou levar até as últimas consequências”. A fala reforçou a estratégia de confrontar publicamente o presidente, ao invés de aguardar o debate marcado para a TV Globo na sexta‑feira.

Desafio e contraproposta

Além das contas ligadas ao ex‑assessor, o candidato exigiu o fim do segredo sobre o livro de visitas do Palácio da Alvorada e sobre as despesas realizadas com o cartão governamental da primeira‑dama Janja da Silva. A proposta, apresentada ao TSE, busca equiparar a transparência exigida ao presidente com a que ele próprio solicita.

Durante o ato, Flávio também mirou o filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, ao associá‑lo à residência alugada pela lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por supostos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A referência ao caso ampliou o tom de ataque pessoal ao mandatário.

A decisão de contra‑atacar imediatamente em comício rompeu com a orientação inicial de parte da coordenação de campanha, que preferia guardar a resposta para o confronto direto na TV Globo. O senador optou por levar a disputa ao público antes do debate, buscando ganhar força nas ruas.

Cenário político

O evento contou com forte presença religiosa, liderada pelo governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e hinos evangélicos entoados no palco. Entre os convidados, o senador eleito Guilherme Derrite (PP‑SP), cotado para chefiar a pasta da Segurança Pública em eventual governo do PL, reiterou a defesa da redução da maioridade penal para 14 anos como medida central contra o crime organizado.

O prefeito eleito de Guarulhos, Lucas Sanches, ressaltou o alinhamento político com os governos estadual e federal como alavanca de investimentos para a mobilidade urbana da cidade. Já a deputada federal Rosana Valle (PL‑SP), aliada da senadora Michelle Bolsonaro, fez declarações polêmicas ao atacar a deputada Erika Hilton (PSOL‑SP), afirmando que a Comissão dos Direitos da Mulher seria comandada por “uma presidente que não é uma mulher real”.

A passagem por Guarulhos reforça a aposta estratégica da chapa no Sudeste, região que concentra cerca de 40 % do eleitorado nacional. Segundo a Justiça Eleitoral, São Paulo reúne mais de 33,5 milhões de eleitores aptos, e Guarulhos, com quase 1 milhão de votantes, é o segundo maior contingente do interior e da região metropolitana. Antes da votação definitiva no domingo, Flávio Bolsonaro concentrará sua agenda de encerramento em atos de rua nos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

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