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Baixa visão infantil: riscos ao desenvolvimento e a necessidade de intervenção precoce

Identificação precoce de alterações visuais pode contribuir para o desenvolvimento infantil (Foto: Gerada por IA/Lílian Rech)

O oftalmologista Guilherme Bonini alertou que a baixa visão na infância pode comprometer a aprendizagem, a coordenação motora, a orientação espacial e a interação social quando não é identificada e tratada a tempo. O especialista explicou que algumas causas são corrigíveis com óculos, lentes de contato ou cirurgia, enquanto outras exigem acompanhamento, reabilitação e recursos de acessibilidade.

Esses déficits visuais afetam diretamente o desempenho escolar e a capacidade da criança de copiar o conteúdo do quadro, além de aumentar o risco de tropeços e colisões frequentes. Dor de cabeça, cansaço visual, perda de linhas durante a leitura, dificuldade de concentração e queda no rendimento escolar também são sinais que merecem atenção dos pais e responsáveis.

Sinais de alerta

Nos bebês e nas crianças menores, os indícios podem ser mais discretos: pouca resposta a estímulos visuais, dificuldade para acompanhar objetos com os olhos, movimentos oculares anormais ou desvio de um dos olhos. “A criança nem sempre vai dizer que está enxergando mal. Ela pode simplesmente acreditar que a maneira como enxerga é normal”, alertou Bonini.

A visão é fundamental para que a criança explore o ambiente, reconheça pessoas, aprenda, brinque e desenvolva a coordenação motora. Quando há deficiência visual significativa, a leitura, a escrita, as atividades cotidianas e a participação em brincadeiras podem ser prejudicadas, gerando insegurança e isolamento.

Diagnóstico precoce

Baixa visão não significa incapacidade. “Com diagnóstico adequado, tratamento e os recursos de acessibilidade necessários, muitas crianças conseguem desenvolver grande autonomia e participar plenamente da vida escolar e social”, afirmou o médico. O especialista ressaltou que o córtex visual, responsável pelo processamento da imagem, continua em desenvolvimento até, em média, os sete anos de idade. Nesse período, o cérebro precisa receber imagens de boa qualidade para que a visão se consolide.

Condições como ambliopia apresentam resultados melhores quando diagnosticadas e tratadas nos primeiros anos de vida. Doenças congênitas, catarata, glaucoma e problemas de retina também podem exigir intervenção rápida para preservar o potencial visual da criança. “Quanto mais cedo identificamos o problema, maiores são as possibilidades de tratar a causa, estimular o desenvolvimento visual e evitar que uma alteração inicialmente tratável provoque uma deficiência permanente”, explicou Bonini.

A avaliação ocular inicia-se ainda na maternidade, com o teste do reflexo vermelho, conhecido como teste do olhinho. Mesmo sem sintomas aparentes, as crianças devem passar por acompanhamento oftalmológico periódico, especialmente antes da alfabetização. O exame é adaptado à idade e pode avaliar alinhamento e movimentos dos olhos, fixação, acompanhamento de objetos e estruturas internas, além de medir o grau em crianças que ainda não sabem ler ou falar.

O tratamento depende da causa e do grau de comprometimento visual. Além de óculos, lentes, medicamentos e cirurgias, algumas crianças podem precisar de lupas, materiais ampliados, leitores de tela e adaptações no ambiente escolar. O acompanhamento costuma envolver profissionais de reabilitação visual, terapeutas, professores e familiares.

“O objetivo não é apenas fazer a criança enxergar melhor, mas permitir que ela utilize da melhor maneira possível a visão que possui e tenha independência para estudar, brincar, se locomover e realizar suas atividades”, concluiu o oftalmologista, reforçando a importância de que pais, educadores e profissionais de saúde estejam atentos aos sinais e busquem avaliação especializada o quanto antes.

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