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Dia do Professor em Três Lagoas destaca desafios e valorização do magistério

No dia 15 de outubro, Três Lagoas celebrou o Dia do Professor, um marco que vai além de homenagens. A data trouxe à tona os desafios que os educadores enfrentam, desde a adaptação às tecnologias digitais até a necessidade de envolver as famílias na aprendizagem. Enquanto escolas organizam eventos de reconhecimento, professores e sindicatos destacam a importância de condições adequadas de trabalho e valorização profissional.

Para os docentes, ensinar vai além da transmissão de conteúdos. Eles desenvolvem habilidades, fomentam o pensamento crítico e ajudam a construir os projetos de vida dos estudantes. O jornalista e professor Rafael Furlan afirma que a relação entre educador e aluno é um dos pilares do aprendizado, destacando que a confiança e o respeito mútuo geram sintonia e melhor desempenho escolar.

Furlan ressalta que a ética, a transparência e o respeito são fundamentais para estabelecer relações saudáveis. Ele acredita que esses valores resultam diretamente na aprendizagem, pois o aluno se sente à vontade para explorar e questionar. Segundo ele, o professor que cria um ambiente seguro e acolhedor facilita a participação ativa e a consolidação do conhecimento.

Para o professor, acompanhar a evolução dos estudantes é uma das maiores recompensas. Furlan conta que receber mensagens de ex-alunos que ingressaram na universidade ou que desenvolveram habilidades de leitura e escrita reforça o significado de seu trabalho. Ele destaca que ver um aluno superar desafios que antes pareciam impossíveis é o que mantém a motivação na profissão.

Desafios Pedagógicos

A rotina escolar exige adaptações constantes. O uso de celulares, o acesso rápido à informação e as diferentes necessidades dos estudantes desafiam os profissionais a buscar metodologias que tornem as aulas mais atrativas. Furlan enfatiza a importância de estabelecer rotinas sólidas para manter a atenção dos alunos e consolidar o aprendizado.

Além disso, ele destaca a participação das famílias como fator essencial. O professor ressalta que o trabalho realizado em sala de aula precisa ter continuidade em casa, por meio de tarefas, hábitos e acompanhamento dos responsáveis. A parceria entre escola e família contribui para o desenvolvimento dos estudantes e para a construção de uma rotina de estudos consistente.

A professora de Ciências Biológicas Beatriz Paro Aguiar, que trabalha na Rede Estadual de Ensino, reforça que a formação dos estudantes envolve muito mais que a disciplina. Ela destaca que conhecer as histórias, vivências e cultura de cada aluno é essencial para compreender suas necessidades e contribuir para o desenvolvimento pessoal. “Não tratamos apenas da disciplina”, afirma, “também construímos o projeto de vida e caminhos para que ele siga seus sonhos”.

Valorização Profissional

Beatriz ressalta que a escola também tem a função social de acolher, ouvir e incentivar os estudantes. Ao mesmo tempo, reconhece que a sobrecarga e as situações complexas do cotidiano tornam o trabalho desafiador. Manter um olhar atento às necessidades dos alunos é parte do compromisso de ajudá-los a desenvolver autonomia, pensar por si mesmos e encontrar caminhos para o futuro.

No âmbito sindical, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinted) destaca conquistas e mantém a defesa de avanços na carreira. A presidente Adriana Vasconcelos cita a implantação de um terço da jornada destinado às atividades extraclasse como uma das conquistas dos profissionais da rede municipal. Segundo ela, os professores cumprem 20 horas de trabalho em sala de aula e outras seis horas destinadas ao planejamento e às atividades pedagógicas. Desse período, quatro horas são realizadas na unidade escolar e duas são de livre escolha do profissional.

Adriana também destaca os avanços relacionados ao pagamento do piso salarial do magistério para a jornada de 20 horas semanais. Ela afirma que Três Lagoas ocupa a primeira posição entre os municípios de Mato Grosso do Sul em relação aos salários dos professores, considerando a política de pagamento do piso para a jornada de 20 horas. Apesar das conquistas, a presidente defende a continuidade da mobilização sindical para garantir os direitos já alcançados e ampliar os avanços da categoria. “Para mim, é a profissão mais importante que existe e é a que os políticos menos valorizam”, conclui, apelando à continuidade da luta por melhores condições de trabalho e reconhecimento.

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