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Santa Casa de Campo Grande tem fila de 60 dias para marcapasso

Ministério Público cobra plano de reestruturação e alerta para risco de paralisação de serviços Foto: Reprodução

A fila para o implante de marcapasso na Santa Casa de Campo Grande chegou a 60 dias. Pacientes permanecem internados por até 90 dias aguardando o procedimento. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) alertou para o risco de colapso na instituição.

O promotor de Justiça Marcos Dietz fez o alerta durante audiência realizada na quarta-feira (14). Segundo o MPMS, o novo contrato entre a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado e o hospital não é suficiente para resolver a crise financeira e estrutural.

Deficit operacional elevado

Apesar do aumento de R$ 4 milhões nos repasses mensais, a Santa Casa pode acumular um déficit operacional de até R$ 19,7 milhões por mês. Para o órgão, o problema exige medidas concretas além da renovação contratual.

O objetivo é garantir a continuidade dos atendimentos aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). “O que se pretende é que o hospital volte a prestar assistência à população e ao usuário do SUS”, afirmou Dietz durante a audiência.

A falta de medicamentos, insumos, órteses, próteses e materiais especiais contribui para a demora nos procedimentos. Essa escassez prolonga a permanência dos pacientes nos leitos, pressionando a estrutura hospitalar.

Dívida com médicos

As dívidas com profissionais de saúde e empresas prestadoras somam aproximadamente R$ 40 milhões. Há cerca de cinco meses de atraso nos pagamentos. A situação da anestesiologia é considerada especialmente preocupante pelo promotor.

Os profissionais indicaram dificuldades para manter os atendimentos após o prazo de extensão de 45 dias determinado pela Justiça. “Sem anestesiologia o hospital simplesmente irá paralisar todas as suas atividades, como já foi informado em diversos momentos”, alertou Dietz.

A interrupção desse serviço comprometeria cirurgias e outros procedimentos dependentes de anestesia. Isso ampliaria os riscos para pacientes que aguardam atendimento na unidade.

O MPMS busca soluções mais amplas do que a revisão dos valores pagos ao hospital. A ação civil pública em andamento cobra um plano de ação para recuperar a capacidade de atendimento da Santa Casa.

O órgão não se opõe a medidas de reestruturação ou redimensionamento, desde que preservem a vida e a saúde dos pacientes. O MPMS seguirá acompanhando as negociações e cobrando providências da Prefeitura, do Governo do Estado e da administração hospitalar.

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