Na manhã desta terça‑feira (27), o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) desembarcou nos Estados Unidos acompanhado da esposa e das duas filhas, poucos minutos depois de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, emitir ordem monocrática para que a Polícia Federal apreendesse seus passaportes comum e diplomático.
A viagem foi realizada por via terrestre, com passagem pela fronteira argentina em Puerto Iguazú, antes de seguir para a Flórida. A chegada da família ao solo norte‑americano foi confirmada por interlocutores do governo dos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro deixou o país motivado por receios de uma eventual prisão decorrente dos inquéritos que tramitam sob a relatoria do ministro. A decisão contrariou a orientação dos principais coordenadores de sua campanha presidencial, que em reunião no início da semana recomendaram que ele permanecesse no Brasil.
O senador Rogério Marinho (PL‑RN), que coordenou a chapa, disse ter sido surpreendido por uma breve mensagem de texto em que Flávio avisava apenas que precisava “dar um tempo”.
Com a saída do parlamentar, a Polícia Federal formalizou o cancelamento imediato dos dois documentos de viagem, obedecendo à determinação de Moraes. A medida foi justificada por duas frentes de investigação que apontam supostas irregularidades financeiras e societárias.
Investigações financeiras
Nos autos, constam comunicações eletrônicas que identificam Flávio Bolsonaro como “usuário master” em conta do banco Santander vinculada ao advogado Willer Tomaz. A suposta administração conjunta de recursos seria facilitada por essa conta, situação que tanto o senador quanto Tomaz negam. A apuração também verifica se o parlamentar manteve participação societária oculta na empresa de apostas BestBet, ligada a negócios de Tomaz.
Financiamento cinematográfico
Outra linha investigativa examina repasses de, no mínimo, US$ 24 milhões ao documentário “Dark Horse”, negociados com Daniel Vorcaro, ex‑controlador do Banco Master. O montante teria sido direcionado a um fundo sediado nos Estados Unidos, administrado por Eduardo Bolsonaro.
Com mandato no Congresso previsto para expirar em fevereiro de 2027, Flávio Bolsonaro deve contar com apoio do Departamento de Estado norte‑americano na gestão de Donald Trump, que já confirmou a emissão de vistos para a família.
O caso segue em investigação pela Polícia Federal. Enquanto os documentos de viagem permanecem cancelados, a possibilidade de prisão ainda paira sobre o senador, o que pode impactar sua candidatura presidencial e alterar o cenário político nas próximas eleições.







