O Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou, nesta quarta‑feira (28), que Mato Grosso do Sul ocupa a quinta posição no ranking nacional de assédio eleitoral no ambiente de trabalho, com 67 registros formais. O levantamento, concluído às 15h55 (horário de Brasília), refere‑se ao período pós‑eleições de 2026, quando o segundo turno ocorreu no domingo, 25 de outubro.
Em todo o país, foram contabilizadas 3.080 denúncias de assédio eleitoral no ambiente laboral em 2026. A maioria dos relatos chegou ao órgão de fiscalização após o encerramento da votação, indicando uma onda de represálias e perseguições políticas nas empresas.
No Mato Grosso do Sul, os 67 registros correspondem a uma população eleitoral de aproximadamente 2,02 milhões de cidadãos aptos a votar. Isso gera uma taxa de 3,31 denúncias para cada cem mil eleitores, superando em 70% a média nacional, que é de 1,95 queixas por cem mil votantes.
O índice estadual fica atrás apenas de quatro unidades da federação. O Distrito Federal lidera o ranking com 5,28 denúncias por cem mil eleitores, seguido por Amapá (3,81), Mato Grosso (3,75) e Paraná (3,52). No contexto do Centro‑Oeste, o MS posiciona‑se em terceiro lugar, depois do DF e de Mato Grosso, e bem à frente de Goiás, que registrou 2,09 queixas por cem mil votantes.
Ranking nacional
Em termos absolutos, São Paulo concentra o maior número de ocorrências, com 575 denúncias. Contudo, devido à sua base eleitoral de mais de 34 milhões de aptos, a taxa estadual recua para 1,69 denúncias por cem mil eleitores, ocupando a 18ª posição no ranking relativo. O indicador de Mato Grosso do Sul, portanto, é quase o dobro da taxa paulista.
A curva de notificações sofreu aceleração a partir da noite de domingo, 25. Até o fim do primeiro turno, o MPT já havia registrado 991 queixas. Durante a campanha do segundo turno, foram acrescentados 946 novos procedimentos. Em menos de três dias após a confirmação dos resultados, surgiram 1.143 novas ocorrências, o que corresponde a 37,1% de todas as queixas trabalhistas ligadas ao tema em 2026.
As denúncias apontam que a pressão ocorreu por meio de mensagens em aplicativos corporativos, publicações em redes sociais e incentivos de influenciadores e empresários. As vítimas relataram boicotes, ameaças de corte no quadro de funcionários e demissões motivadas pelo voto. No Mato Grosso do Sul, a maioria dos eleitores optou por Flávio Bolsonaro (PL), contrastando com o resultado nacional, que garantiu a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O procurador‑geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, enfatizou que as demissões por convicção política violam a Constituição e a legislação trabalhista. “O empresário é dono do seu negócio e não do voto do seu empregado. Demitir trabalhadores por sua convicção política é ilegal e será alvo de atuação perante a Justiça do Trabalho”, declarou.
Como denunciar
Os trabalhadores que sofreram coação, ameaças de desligamento ou dispensas sem justa causa podem registrar a ocorrência no portal mpt.mp.br. O envio é eletrônico, e o sigilo dos dados do denunciante é garantido por lei.
Para assegurar a instrução técnica dos inquéritos civis públicos e a cobrança de reparações por dano moral, os procuradores orientam a preservação imediata de evidências. Entre os materiais recomendados estão capturas de tela de conversas em grupos e mensagens diretas, postagens públicas de chefias, gravações em áudio ou vídeo e a identificação de testemunhas que acompanharam os episódios no local de trabalho.
O MPT continuará analisando as denúncias recebidas, com a expectativa de abrir processos na Justiça do Trabalho contra empresas e empregadores que praticarem assédio eleitoral. O acompanhamento das investigações será divulgado nos próximos dias, reforçando a proteção ao voto livre e à liberdade de consciência dos trabalhadores.








