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Copom mantém Selic em 13,75% com inflação acima da meta e riscos fiscais

Copom obra cautela fiscal no cenário interno para conter avanço de preços - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros da economia brasileira em 13,75% ao ano. A votação foi unânime entre os sete membros da autoridade monetária, que analisaram um cenário marcado pela aceleração dos preços internos e pela volatilidade geopolítica externa.

A manutenção da taxa ocorre em um momento de sinais de desaquecimento no comércio, na indústria e no mercado de trabalho. Apesar da perda de ritmo da atividade econômica, o colegiado optou por preservar o crédito em terreno restritivo para combater a inflação persistente.

Incertezas e riscos fiscais

No comunicado oficial, o Copom descreveu o ambiente como desafiador, exigindo serenidade e cautela na condução da política monetária. O texto citou a taxa Selic substancialmente contracionista, o aumento das incertezas no cenário base e a desaceleração mais acentuada da atividade doméstica como fatores determinantes para a decisão.

Do lado externo, o Banco Central apontou que o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio tornou o ambiente global mais adverso. A instabilidade elevou as cotações internacionais do barril de petróleo e derivados, encarecendo combustíveis e pressionando os custos logísticos. Além disso, a manutenção de juros elevados nas economias avançadas tem drenado capitais de mercados emergentes, gerando turbulência no câmbio e nos ativos financeiros nacionais.

Projeções de inflação

No cenário doméstico, os índices de inflação cheia e as médias das medidas subjacentes aceleraram, rompendo o teto do intervalo de tolerância da meta oficial. O distanciamento entre as expectativas do mercado e a meta do Conselho Monetário Nacional foi um dos principais fatores para barrar qualquer redução nos juros.

De acordo com o Boletim Focus citado pelo BC, a expectativa de IPCA para 2026 avançou para 5,2%, enquanto a projeção para 2027 subiu para 4,8%. A projeção oficial do Copom para o segundo trimestre de 2028 também foi elevada para 3,5% no cenário de referência, que considera o dólar a R$ 5,20 e bandeira tarifária verde de energia elétrica até o fim de 2027.

Para 2026, a projeção interna do Banco Central aponta um IPCA fechando em 5,6%. Nesse cálculo, os itens administrados, como tarifas públicas e energia, devem pressionar em 6,0%, enquanto os preços livres devem avançar 5,5%. O documento destaca que a assimetria do risco continua inclinada para novas altas de preços, com atenção especial à inflação resiliente no setor de serviços e aos impactos climáticos sobre a agricultura.

O Copom reforçou ainda a importância de monitorar a política fiscal do governo federal e seus impactos sobre a política monetária e os ativos financeiros. O colegiado alertou para a desancoragem das expectativas de inflação em prazos mais longos, o que aumenta o custo da desinflação. Por outro lado, o texto ponderou que uma possível recessão global ou uma perda de fôlego mais severa na produção nacional poderiam atuar como forças desinflacionárias no futuro.

Votaram a favor da manutenção da taxa em 13,75% o presidente Gabriel Muricca Galípolo e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira. A decisão reflete a postura cautelosa do Banco Central diante de um cenário de maior incerteza e riscos fiscais.

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