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Feira da Liderança do Colégio Anglo destaca literatura como ferramenta de leitura e crítica

Na noite de sexta‑feira, 6 de outubro, o Colégio Anglo, em Três Lagoas (MS), realizou a 9ª Feira da Liderança, cujo eixo central foi a literatura. Estudantes do ensino médio transformaram obras clássicas em apresentações, montagens e debates, sob a coordenação da professora de literatura e língua portuguesa Édila de Cássia Souza Santana. O evento, além de cumprir a proposta pedagógica, buscou aproximar os jovens da leitura, da criatividade e do pensamento crítico, reforçando o papel da escola como espaço de formação integral.

“Vivemos um tempo de muitos desafios para a leitura. Como professores de linguagem, nosso maior desafio, principalmente com essa geração da tecnologia, é fazer com que jovens, adolescentes e crianças leiam”, afirmou Édila, ressaltando a urgência de estimular o hábito leitor em meio à cultura digital.

Responsável pela organização das atividades do ensino médio, Édila explicou que a feira permitiu observar a literatura ganhar forma fora das páginas dos livros. Cada montagem realizada pelos estudantes contou não apenas a história da obra, mas também um trecho da própria trajetória escolar, como se “páginas das histórias fossem escritas” ao longo do evento.

Feira de Liderança

Entre os trabalhos apresentados, o 2º ano desenvolveu uma leitura comparada entre “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, e “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus. Já o 1º ano preparou uma encenação inspirada em “O Auto da Compadecida”, obra que a professora destacou como capaz de aproximar os estudantes da diversidade cultural brasileira.

Para a professora, esse contato com personagens, contextos e linguagens diferentes amplia o repertório dos alunos, exercita a imaginação e permite reconhecer problemas humanos que atravessam épocas e lugares. “A leitura é um encontro. O aluno encontra personagens, encontra ideias diferentes e, ao mesmo tempo, encontra a si mesmo”, sintetizou Édila, reforçando a dimensão pessoal da prática leitora.

Desafios da leitura

Ao analisar a principal dificuldade dos estudantes, Édila apontou a própria leitura como o maior obstáculo, sobretudo diante da linguagem tecnológica mais rápida e imediata. “A linguagem tecnológica é mais rápida. Nós vivemos num mundo da informação, então queremos saber o que aconteceu rapidamente. Na literatura, não interessa o que aconteceu, interessa como aconteceu”, explicou, evidenciando a necessidade de atenção prolongada que a literatura exige.

A professora defende que a leitura não pode ser apresentada de forma forçada, pois isso pode gerar bloqueios nos estudantes. O caminho, segundo ela, passa por tornar o livro uma experiência agradável e compartilhada, não restrita apenas aos professores de língua portuguesa ou literatura. “Todos são leitores. Às vezes, um professor chega com um livro na mão, sem nenhum critério, o aluno vê esse livro e aquilo desperta nele a leitura”, observou.

Quando indagada sobre a obra que gostaria que todos os alunos conhecessem, Édila citou “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, e explicou que a incluiu em uma análise comparativa com “Quarto de Despejo”. As duas narrativas apresentam protagonistas vinculados a espaços periféricos e marcados por invisibilidade social: Macabéa, nordestina que migra para o Rio de Janeiro, e Carolina Maria de Jesus, que relata a vida no Canindé, em São Paulo. “São narrativas que parecem distintas, mas se encontram em muitas facetas, sobretudo nesse olhar marginalizado”, analisou a professora.

Encerrando sua participação, Édila agradeceu aos diretores, coordenadores e à equipe que viabilizou a Feira da Liderança, afirmando que o evento reforça o papel da escola como espaço de leitura, imaginação e formação crítica. “Para nós da literatura, é um evento e tanto”, concluiu, deixando em aberto a expectativa de que a iniciativa se repita nos próximos anos, consolidando a prática leitora como elemento permanente da vida escolar.

A preparação para a feira começou no início do ano letivo, quando a equipe pedagógica incluiu, nos bimestres anteriores, a leitura e discussão das obras que seriam apresentadas. Cada turma recebeu um cronograma que combinava leitura individual, debates em grupo e oficinas de produção artística. Esse trabalho contínuo permitiu que os estudantes internalizassem os temas, desenvolvessem argumentos críticos e experimentassem diferentes linguagens, como teatro, audiovisual e artes plásticas, antes de montar suas propostas para a feira.

Além do aspecto cultural, a feira contribuiu para a preparação dos estudantes para os exames vestibulares e para o ENEM. Ao analisar obras como “A Hora da Estrela” e “Quarto de Despejo”, os alunos praticaram a interpretação de textos, a construção de argumentos e a escrita dissertativa, competências exigidas nas provas. A professora Édila ressaltou que a leitura crítica de narrativas marginalizadas amplia a capacidade de argumentação dos jovens, favorecendo seu desempenho nas avaliações nacionais.

Para a próxima edição, a coordenação pretende ampliar a participação de outras áreas do conhecimento, integrando ciências humanas e artes visuais às propostas literárias. O objetivo é criar um espaço ainda mais interdisciplinar, onde a literatura dialogue com história, sociologia e música, reforçando a ideia de que a leitura pode ser ponto de partida para múltiplas formas de expressão. A expectativa é que a Feira da Liderança continue a ser um marco anual na vida escolar, estimulando o hábito da leitura entre as novas gerações.

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